Goretti Brandão

Ontem pela manhã policiais militares deflagraram a Operação Carnaval aqui em Santana do Ipanema e em Olho D’Água das Flores. Olhando as fotografias dos acusados, vê-se logo que são peixes pequenos. Esses que caem na rede de malha fina. Os que pertencem e transitam pelo tráfico e que na verdade, são a sombra e o escudo dos maiores. Os grandes peixes dessa engrenagem toda. Mas, à porta dos festejos carnavalescos, a cidade se enfeita e se prepara para viver a alegria dos foliões.

Em conversa informal, uma psicóloga que trabalha com viciados na cidade, relatou o sério problema das drogas, que vêm se alastrando. Nenhuma novidade, afinal. No subúrbio de Santana do Ipanema, o bairro Artur Moraes já é conhecido pela violência, pelos assassinatos constantes, e pela quantidade de jovens usuários e dependentes do craque. É uma assombrosa realidade, essa: Uma situação para a qual não se pode mais fechar os olhos. As cidades do interior, hoje, são palco de pequenas gangues que brigam entre si pelo domínio de algumas áreas de venda de droga. Os detidos são acusados também por homicídios e estão na faixa etária dos 32 a 17 anos de idade.

Cheia de alegorias, no entanto, as ruas principais de Santana amanheceram ornamentadas e alegres. O bloco Santana dos Meus Amores, fez sua prévia carnavalesca, no final do mês passado e antes dele, o Baile à Fantasia, promovido pelas senhoras do grupo da Melhor Idade, abriu as portas da cidade e ativou nas pessoas, a disposição de ânimo para viverem o espírito da folia. De lá em diante, o comércio está aquecido. As lojas que oferecem assessórios e fantasias estão lotadas. Percebe-se a tendência ao retorno às fantasias, máscaras, coisas que foram quase que completamente esquecidas, há algum tempo atrás.

Aprecio o gosto pelo original. Nada contra, mas nas décadas de 90 e no começo dos anos do século 21 (2.000, 2001... até pouco tempo), presenciou-se o muito uso de abadás e camisetas. Tudo muito igual (embora sendo uma tendência dos tempos atuais). A fantasia festeja a diversidade, além de proporcionar um colorido sem igual e uma visão fantástica do conjunto. Outra coisa é a possibilidade de se incorporar e viver, durante o período, o que se quer: bailarinas, bruxas, palhaços, marinheiros, bebês... A criatividade de alguns chega aos maravilhosos extremos. É ótimo dar fôlego às criações e entrar na festa vestindo um arquétipo – um modelo – que está ali, o tempo todo dentro das pessoas.

O carnaval movido à fantasia faz de cada um, o ator de si mesmo, sem precisar se estar drogado.

Hoje à noite estarei em Pão de Açúcar, no velho clube da minha terra natal. Serei uma bruxa, com um enorme chapéu, vassoura, aranha e tudo. É que vou aproveitar essa sexta-feira, para exorcizar meus demônios.

Feliz folia para todo mundo!!!