Navios de guerra enviados por potências ocidentais dirigiam-se nesta quarta-feira à Líbia, cenário desde o dia 15 de fevereiro de uma revolta contra o regime do coronel Kadafi.

Estadios Unidos
Dois navios de guerra americanos, o porta-helicópteros USS Kearsarge e o USS Ponce atravessaram o Canal de Suez em direção à Líbia.

O USS Kearsarge pode transportar 800 Marines, uma frota de helicópteros e instalações médicas para garantir apoio a operações humanitárias ou militares.

Grã-Bretanha
Zarpando de Gibraltar, a fragata HMS Westminster da marinha britânica vai se revezar com o HMS York, que distribui matérial médico fornecido pela Suécia a Benghazi, segunda cidade do país, em mãos da oposição.

A HMS Westminster é fragata do tipo 23 transportando, em geral, helicópteros MK 8 Lynx, lança-mísseis, torpedos e armas de curto e longo alcances.

A fragata "embarcou, além do material habitual, equipamento médico, cobertores e lençóis", informou um porta-voz do Exército em Gibraltar.

Canadá
Partindo de Halifax, na Nova Escócia, a fragata canadense Charlottetown, levando a bordo 240 homens e um helicóptero, deverá chegar em seis ou sete dias.

Nem sua missão, nem a duração da viagem foram definidas com precisão. Segundo o primeiro-ministro Stephen Harper, o navio deverá fazer parte das operações de evacuação de cidadãos canadenses e internacionais, já em curso na Líbia.

França
A França decidiu enviar o porta-helicópteros Mistral, o segundo maior deste tipo da Marinha francesa, para participar da retirada de trabalhadores egípcios, impedidos de chegar a seu país, como parte das medidas decididas pela União Europeia, informou nesta quarta-feira o Ministério da Defesa.

O porta-helicópteros e a fragata que o acompanha poderiam embarcar "até 800 pessoas", segundo o coronel Thierry Burkhard, porta-voz do Estado Maior.

Itália
Navios poderão deixar a Itália "em 24 ou 48 horas", informou o chefe da diplomacia italiana. Franco Frattini também afirmou que o governo de Roma enviará uma nave de ajuda humanitária a Benghazi "assim que as condições de segurança o permitirem".

Coreia do Sul
Um navio de guerra sul-coreano, o Choi Young, que patrulha ao longo da Somália foi desviado de rota, em direção à Líbia, para ajudar na evacuação de civis, devendo chegar de madrugada ao local, segundo o ministério da Defesa.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.