O ministro de Assuntos Exteriores italiano, Franco Frattini, disse nesta quarta-feira que a Itália congelará os bens do líder líbio, Muammar Kadafi, e de seus familiares, de acordo com os sanções econômicas contra o regime de Trípoli aprovadas pela União Europeia (UE) e Nações Unidas.
Em entrevista ao canal de televisão SkyTg 24, Frattini assinalou que se trata de uma iniciativa de acordo com as adotadas por outros países europeus como França, Alemanha e Espanha.
"Decidimos adotar de forma integral as resoluções das Nações Unidas e da União Europeia que falam de congelar os bens pessoais e da família de Kadafi", explicou o titular de Exteriores.
Sobre a possibilidade de congelar as ações controladas pelos fundos líbios e os Bancos da Líbia em diferentes empresas italianas, como a entidade financeira Unicredit e a companhia petrolífera Eni, Frattini comentou perante os meios de comunicação italianos que é necessário uma decisão comum da UE a respeito.
"Trata-se de medidas que nem o Conselho de Segurança da ONU nem a UE fixaram. Se são necessárias novas medidas em nível europeu, é óbvio que estas deverão ser levadas em conta pelos ministros do Tesouro da União Europeia", indicou.
Frattini fez estas afirmações ao finalizar uma reunião técnica realizada em Roma para acertar os detalhes sobre a missão humanitária que será realizada pela Itália na fronteira líbio-tunisiana, com o objetivo de prestar assistência às pessoas que fogem da violência na Líbia.
Esta iniciativa prevê a criação de um campo de refugiados, em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a Organização das Migrações, para ajudar as mais de 70 mil pessoas que fugiram das revoltas e da violência na Líbia.
Além disso, precisou que o Executivo deve enviar, assim que forem cumpridas as condições de segurança necessárias, um avião com ajuda humanitária a Benghazi para enfrentar a situação de emergência registrada na região líbia da Cirenaica.
Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.