Uma rebelião popular contra o líder líbio Muammar Gaddafi está às portas de Trípoli, mas na capital o clima é de normalidade.

Na fila do pão ou num mercado da cidade, alguns moradores rejeitavam na terça-feira a ideia de que Gaddafi, seu líder há 41 anos, poderá ser derrubado em breve. Vários se empenhavam em dizer aos jornalistas estrangeiros que tudo está tranquilo.

"Olhe ao redor: vê algum problema? A vida está normal em Trípoli", disse Abdel Karim Abdel Ghani, funcionário de uma companhia petrolífera, apontando para uma loja de CDs e DVDs.

"Tudo está legal", acrescentou um amigo dele, com gel no cabelo e óculos escuros.

Por trás de frases como essa, no entanto, surgem sinais de tensão em Trípoli. "A situação está nervosa", disse o médico Salah, de 35 anos, numa padaria onde cerca de 15 pessoas faziam fila na calçada.

"Claro que estou preocupado. Minha família está com medo, me esperando em casa. Tenho 35 anos e é a primeira vez que vejo algo assim na Líbia. É muito assustador."

Um homem que se identificou como piloto militar disse a respeito de Gaddafi: "Cem por cento dos líbios não gostam dele. Quarenta e um anos já são o bastante. Digam à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos que eles precisam ajudar a Líbia rapidamente."

Numa rua, apoiadores armados de Gaddafi, usando faixas verdes na testa, passaram em jipes buzinando.

Na orla do Mediterrâneo, algumas lojas estão fechadas. Há preocupação com o rápido aumento dos preços de alimentos em decorrência da crise. Para aplacar os ânimos, bancos estatais começaram a distribuir bônus em dinheiro para as famílias líbias.

"Agora o principal problema é o preço alto da comida. O governo está dando 500 dinares (400 dólares) para todos. É suficiente. São os canais de televisão que ficam criando problemas. Mas como você pode ver tudo está bem", disse Khalifa, 45 anos, funcionária do aeroporto.

No mercado, um homem que insistia em ser identificado como "todos os líbios" disse: "Por que a mídia árabe e ocidental diz que há protestos? Não há protestos. Esses fatos não estão acontecendo na Líbia. As pessoas filmam as coisas nos seus celulares e fingem que elas acontecem aqui. Gaddafi não irá perder. Isso é tudo conversa."