O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta terça-feira que, apesar de causar certo desconforto entre alguns deputados e senadores, o corte de emendas parlamentares pelo governo é necessário para manter a estabilidade do país

Os ministros do Planejamento, Miriam Belchior, e da Fazenda, Guido Mantega, informaram ontem que haverá um corte de R$ 18 bilhões das emendas parlamentares do corte total de R$ 50 bilhões que o governo federal fará no Orçamento deste ano.

O montante corresponde a aproximadamente 72% das emendas apresentadas pelos parlamentares, que ficaram próximas aos R$ 25 bilhões, segundo a Consultoria da Câmara.

"O que a inflação significa para o povo é muito maior do que esses pequenos sacrifícios que são feitos neste momento", disse Sarney.

Para o senador, o anúncio do corte de R$ 5 bilhões no programa Minha Casa Minha Vida não representa descumprimento das promessas feitas pela presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral.

"Eu acho que esse ponto não ofende de maneira nenhuma a linha social do governo", disse o presidente do Senado.

O programa terá uma contenção de mais de R$ 5 bilhões nos repasses do governo, o que representa 40% de corte --passará de R$ 12,7 bilhões para R$ 7,6 bilhões.

CORTES

Segundo o detalhamento do corte das despesas do Orçamento, os gastos discricionários dos ministérios tiveram uma redução de R$ 36,2 bilhões. Os vetos à Lei Orçamentária respondem por R$ 1,6 bilhão em despesas.

Já as despesas obrigatórias tiveram uma redução de R$ 15,7 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões de gastos com pessoal, R$ 8,9 bilhões nos subsídios, R$ 2 bilhões de gastos previdenciários e R$ 3 bilhões em abono salarial e seguro-desemprego.

Houve, contudo, um acréscimo de R$ 3,5 bilhões em créditos extraordinários, para o Nordeste e a Amazônia.