Acostumado com os holofotes e com os títulos, o meia-atacante Adriano Gabiru vive em 2011 a experiência do recomeço de um profissional. Após quase um ano afastado dos gramados e com uma história no futebol que inclui ter vivido a emoção de fazer o gol que deu o título para o Internacional no Mundial Interclubes de 2006, o jogador de 33 anos voltou a atuar profissionalmente com a camisa corintiana.

Mas, diante da nova realidade de sua carreira, seu clube não é o centenário Corinthians Paulista e sim o pequeno Corinthians Paranaense. E mesmo longe dos dias gloriosos de conquistas como as do Campeonato Brasileiro de 2001, pelo Atlético Paranaense, da Libertadores da América e do Mundial Interclubes, o jogador não esconde a alegria de estar jogando.

- É muito bom, fiquei muito tempo parado e graças a Deus tive esta chance. Estou muito feliz em um time que me deu oportunidade de voltar a fazer o que mais gosto.

Em um clube menor do que quase todos os outros que defendeu na carreira, Gabiru não desfruta dos bônus da fama, mas também não enfrenta as pressões e cobranças da torcida, talvez a maior diferença da filial curitibana do Timão em comparação à matriz.

- Tem clube aí em que eu joguei que não tem o que tem o Corinthians Paranaense. Joguei no Atlético, no Inter e no Cruzeiro, que têm estruturas muito boas, mas passei por outros que não têm esta estrutura toda.

Aparentando uma humildade franciscana nesta retomada da carreira, Gabiru, que já chegou a defender a seleção e foi campeão pré-olímpico em 2000, só não esconde certa mágoa pela falta de oportunidade no período de quase um ano em que viveu no ostracismo.

- Não apareceu nenhum time, não tive nenhuma oportunidade. Fiquei parado até dar tudo certo aqui no Corinthians Paranaense.

A conquista de um novo espaço começa dentro do Corinthians-PR, pois o jogador não tem sido relacionado para todas as partidas. A velocidade que outrora ficou conhecido também não é mais a mesma, mas ele se diz satisfeito.

- Lógico que não é a mesma coisa que há vinte anos, porque eu corria muito mais. Hoje vou mais pela experiência, pelos atalhos do campo. E trabalhando cada vez mais forte para ajudar o Corinthians.

Neste retorno aos gramados, Gabiru revela algo inusitado que o deixa feliz.

- Agora estou recomeçando tudo de novo. Estou muito feliz de voltar ao campo, de sentir o aroma do vestiário. Você fica parado e não vê nada disso, então agora estou muito feliz. Aqui o grupo é muito jovem, a garotada é muito boa, me tratou muito bem quando eu cheguei e estou muito feliz.

Uma história de indas e vindas

Adriano Gabiru repete em sua carreira a sina de muitos jogadores que obtiveram status, foram para a Europa, estiveram em equipes vencedoras, levantaram títulos, mas não conseguiram reverter esse histórico em reconhecimento. Atualmente no Corinthians-PR, ele esteve por seis meses no Olympique de Marselha-FRA e voltou para o Atlético-PR.

-Daí eu fui rodando, primeiro fui para o Cruzeiro, emprestado por dois anos. Depois voltei para o Atlético e em seguida acertei com o Internacional, onde fui campeão da Libertadores e do Mundial. Depois passei por Goiás, Figueirense e Sport, já que não considero o tempo no Mixto de Cuiabá como uma passagem.

Nestas andanças, Gabiru alternou dias de consagração com outros de desconfiança da torcida. Principalmente nos tempos em que vestiu a camisa do Internacional. Alvo constante de vaias da torcida colorada, ele deu a volta por cima no dia mais importante da história do clube gaúcho.
Na final do Mundial Interclubes de 2006, diante do poderoso Barcelona, que dominava a partida, Gabiru entrou no jogo aos 31 minutos da etapa final para marcar o gol que garantiu o cobiçado título.

- Fui muito feliz de entrar naquele jogo, contra aquela que era considerada a maior equipe do mundo, com grandes jogadores. Foi muito importante ter feito aquele gol porque estava sendo muito criticado e vaiado pela torcida.

Esta página heroica, no entanto, não foi suficiente para que o atleta se firmasse entre os titulares do Inter, encerrando logo depois sua passagem pelo clube gaúcho.

- O torcedor do Inter sempre se lembra do gol, e me trata muito bem quando eu vou para lá. Felizmente fiz o gol do título mundial lá e isto vai ficar marcado para mim, para os meus filhos, mas isto aí já é passado e agora e estou jogando aqui e feliz.