Os Estados Unidos estão reposicionando suas forças militares navais e aéreas ao redor da Líbia, informou o Pentágono nesta segunda-feira. De acordo com o porta-voz David Lapan, a medida visa dar opções 'caso decisões sejam tomadas'. "Temos gente trabalhando em vários planos de contingência e acredito que é seguro dizer, que como consequência disso, estamos reposicionando forças para serem mais flexíveis. Assim, uma vez que as decisões sejam tomadas, podemos dar opções", disse Lapan. Os EUA pressionam pela implementação de uma zona de exclusão aérea no país, abalado pelas manifestações que pedem a saída do ditador Muamar Kadafi.

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hilllary Clinton, disse na reunião do Conselho de Direitos humanos da ONU que o ditador líbio Muamar Kadafi “deve deixar o poder agora”. Chanceleres de diversos países compareceram em massa à abertura da sessão, em Genebra, e condenaram a violência contra civis na Líbia.
Hillary acusou Kadafi e seus seguidores de usar “mercenários e bandidos” para atacar civis desarmados e executar soldados que se recusaram a matar seu próprio povo. “Kadafi e seus seguidores precisam ser responsabilizados por seus atos, que violam as obrigações legais internacionais e a decência”, disse a secretária de Estado. “É hora de Kadafi deixar o poder, agora mesmo, sem mais violência”, acrescentou.

No último sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já havia exortado o ditador a renunciar, no primeiro pedido direto dos EUA pela sua saída. Hillary afirmou ainda que os “manifestantes estão enfrentando as balas de Kadafi e colocando suas vidas em risco pela liberdade, que é um direito inalienável de cada homem, mulher e criança na Terra”.

A reunião - Na abertura da sessão do Conselho, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, alertou as autoridades líbias para o fato de que os ataques a civis podem ser considerados crimes contra as leis internacionais. “A resposta ilegal e excessivamente violenta de governos é inaceitável”, disse.

A reunião atraiu um número recorde de chanceleres de diversos países do mundo, que também condenaram os ataques contra civis líbios. O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que a Líbia “falhou vergonhosamente em suas responsabilidades frente ao seu povo”. Já o ministro russo Sergey Lavrov afirmou que “o uso de força militar contra os civis era inaceitável”.

A chefe de Política Externa da UE, Catherine Ashton, disse que as sanções do bloco contra a Líbia deveriam entrar em vigor rapidamente. “ A violência contra manifestantes pacíficos choca a nossa consciência”, disse.

Brasileiros - Em meio à violência na Líbia e o desrespeito aos direitos humanos, brasileiros que trabalhavam no país começaram a ser retirados na semana passada. Um grupo de 148 funcionários da construtora Queiroz Galvão deve chegar na tarde desta segunda ao Brasil de avião. Eles haviam sido retirados da Líbia em um navio, que atracou em Atenas no último domingo.

De acordo a embaixada brasileira na Grécia, o voo saiu às 10h30 desta segunda do país (5h30 de Brasília) e faria uma escala de duas horas em Portugal, de onde partiria para Recife.

Na última quinta-feira, funcionários da Andrade Gutierrez desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo vindos da Líbia. Outros sete empregados da Petrobras e 439 da Odebrecht e seus familiares foram retirados do país árabe no mesmo dia.