A terceira audiência do caso do acidente com o voo 1907 começou, por volta do meio-dia desta quinta-feira (31), com o depoimento do copiloto do jato Legacy, que se chocou a aeronave da Gol em 2006 e causou a morte de 154 pessoas. Joseph Lepore vive atualmente nos Estados Unidos e, por isso, era ouvido por meio de videoconferência.
Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal de Brasília, o copiloto dava detalhes ao juiz Murilo Mendes, do Mato Grosso, sobre a rota e a altura da aeronave no momento em que aconteceu o acidente.
Na quarta-feira (30), a Justiça ouviu o piloto do jato Legacy Jean Paul Paladino, também por videoconferência. No depoimento que durou quase sete horas, ele afirmou que recebeu instruções da torre de controle aéreo de Brasília, quando sobrevoava a cidade no jato Legacy da Embraer, para prosseguir o voo a 37 mil pés de altura. Era a mesma altura em que vinha de Manaus o Boeing da Gol.
O Legacy deveria baixar para 36 mil pés ao cruzar a capital, conforme mandava o plano de voo, e seguir nessa altitude até o ponto virtual Teres, quando deveria subir para 38 mil pés e seguir nessa altura até sair do espaço aéreo brasileiro, livre de riscos. Mas o piloto não questionou a ordem do controlador de voo e seguiu na rota até a colisão.
O Legacy, mesmo com problemas, conseguiu pousar na base aérea da Serra do Cachimbo, em Mato Grosso. Paladino disse que teve sérias dificuldades de comunicação com os controladores de tráfego aéreo brasileiro, que em geral não dominam o idioma inglês, e negou que o transponder do Legacy, equipamento que poderia ter evitado o desastre, tenha sido desligado durante o voo.
Mas o norte-americano se complicou ao explicar a informação, contida na caixa preta e confirmada em vários laudos periciais, de que o transponder foi desligado durante o voo, possivelmente por distração. A maior prova é um diálogo do piloto com o auxiliar logo após o choque, em que os dois constatam que o equipamento estava "off" (desligado) e 35 segundos depois ele aparece "on" (ligado) no registro da caixa.
Histórico
O avião da Gol, que fazia o voo 1907, saiu de Manaus (AM) com escala em Brasília (DF), de onde seguiria para o Rio de Janeiro (RJ), e se chocou com um jato Legacy no ar, caindo perto do município de Peixoto de Azevedo (MT), no dia 29 de setembro de 2006. Com a batida, 154 pessoas que estavam dentro do avião da Gol morreram. Apesar de avariado, o jato Legacy, que transportava sete pessoas, conseguiu pousar com segurança.
Esse foi o segundo maior acidente aéreo na história do Brasil. O maior ocorreu em 17 de julho de 2007, quando um Airbus-A320 da TAM caiu em São Paulo e matou 199 pessoas.
Em outubro de 2010, a Justiça Militar condenou o sargento Jomarcelo Fernandes dos Santos a um ano e dois meses de detenção por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).
Outros quatro controladores - João Batista da Silva, Felipe Santos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros - foram absolvidos.