O grupo de 148 brasileiros que chegou à Grécia neste domingo (27) em navio vindo da Líbia, deve estar de volta ao Brasil nesta segunda (28). Eles desembarcam no Recife (PE), e de lá, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, seguem viagem para suas cidades.
Os 148 brasileiros são funcionários da construtora Queiroz Galvão e seus familiares, que estavam retidos na Líbia devido aos conflitos após protestos contra o regime de Muammar Kadhafi, que está no poder desde 1969.
Conforme o Itamaraty, o voo sai às 8h de Atenas no horário local (3h de Brasília) e faz escala em Portugal. Ainda não há previsão do tempo que o grupo ficará em solo português. Depois, o voo segue para o Recife. A previsão é de que chegue ainda na tarde de segunda. O governo brasileiro não informará quais serão os destinos dos brasileiros.
A embarcação que aportou na Grécia havia partido de Benghazi, um dos focos do conflito entre manifestantes e forças do governo, na manhã de sábado (26). Todos haviam embarcado na sexta, mas o mau tempo impediu que a viagem começasse no mesmo dia. O grupo foi o último entre os brasileiros a deixar o país.
O navio chegou ao porto de Pireu, em Atenas, na Grécia, às 7h20 do horário local (por volta de 2h do horário de Brasília) deste domingo.
Além de brasileiros, cidadãos de outras nacionalidades também estavam na embarcação.
O navio foi a única alternativa encontrada pela empreiteira e o governo para a retirada dos brasileiros de Benghazi, onde ocorreram os protestos mais intensos contra o regime de Muammar Kadhafi. As tentativas prévias de buscar os brasileiros por via aérea não foram possíveis porque a pista do aeroporto local foi destruída no início da semana.
Neste domingo, forças armadas de oposição assumiram o controle da cidade de Zawiyah, localizada a cerca de 50 km da capital da Líbia, Trípoli, segundo as agências internacionas. Com cerca de 200 mil habitantes, a cidade é uma das mais próximas da capital, onde estão concentradas as forças leais ao ditador Muammar Kadhafi.
Com tanques, armas antiaéreas e soldados desertores, os opositores se preparam para uma possível ofensiva das forças de Kadhafi.
O governo da Líbia levou jornalistas para Zawiya na manhã de domingo, mas ao invés de ver o regime de Kadhafi controlando a cidade, a imprensa testemunhou oposicionistas armados montando barricadas. Eles hasteavam em edifícios do centro da cidade a bandeira pré-Kadhafi, banida em 1969.
Centenas de manifestantes estavam concentrados nas ruas pedindo "liberdade" e "fora Kadhafi".