Seif al Islam, um dos filhos do coronel líbio Muamar Kadafi, disse neste domingo em entrevista ao programa de televisão "This Week" da emissora americana ABC que sua família é "muito modesta" e não tem dinheiro no exterior, em um momento em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) impôs congelamento dos bens financeiros da família Kadafi.

"Não temos dinheiro no exterior. Somos uma família muito modesta e todo mundo sabe disso", declarou ele à rede americana.

Na verdade, diversas informações dão conta de importantes investimentos da família Kadhafi no exterior. "Achamos engraçado que estejam dizendo que temos dinheiro na Europa ou na Suíça. É brincadeira", completou aquele que foi considerado por longo tempo o sucessor do coronel Kadafi.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou no sábado, por unanimidade, uma resolução que prevê severas sanções ao líder líbio, à sua família e aos integrantes do regime.

Os Estados Unidos decidiram congelar os bens financeiros do coronel, de quatro de seus filhos e de um membro do regime. Também decidiram impôr à Líbia embargo à venda de armas e uma proibição a 16 pessoas, entre elas o próprio Kadafi e seus filhos, de viajar ao território dos Estados-membros.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.