WASHINGTON, 24 Fev 2011 (AFP) -O Exército americano ordenou o uso ilegal de medidas psicológicas em congressistas para conseguir mais fundos para a guerra do Afeganistão, revelou nesta quinta-feira a revista Rolling Stone, o que provocou o início de uma investigação.
O artigo afirma que o general William Caldwell, responsável pelo treinamento das tropas afegãs, pressionou soldados americanos de uma célula "psy-ops" (operações psicológicas), responsável por influenciar no comportamento do inimigo, com o objetivo de manipular congressistas em visita ao local, assim como celebridades e autoridades de outros países.
O objetivo era conseguir mais dinheiro e mais tropas na luta dos Estados Unidos contra os talibãs.
Segundo a revista, o general quis promover sua própria carreira mediante esta técnica. De fato, os membros chamavam a missão de "Operação quatro estrelas", já que Caldwell ostentava três, informa o artigo.
"O general David Petraeus, comandante das forças americanas no Afeganistão, ordenou uma investigação para determinar os fatos e as circunstâncias destes temas", disse em uma nota nesta quinta-feira o coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono.
A investigação deverá esclarecer "o que ocorreu e o que foi feito de forma imprópria ou ilegal", de acordo com a nota do Departamento de Defesa.
Entre as pessoas que foram objeto das manipulações psicológicas encontram-se os senadores John McCain, Joe Lieberman, Jack Reed, Al Franken e Carl Levin.
A Rolling Stone também cita o chefe do Estado-Maior Conjunto, Mike Mullen, o ministro do Interior alemão e o embaixador tcheco no Afeganistão.
A revista se baseia em declarações do coronel Michael Holmes, chefe da célula: "Meu trabalho em ''psy-ops'' é jogar com o cérebro das pessoas, com o objetivo de levar o inimigo a agir tal e como desejamos. Não tenho a intenção de fazer isto com os nossos. Se me pedem para utilizar estas técnicas com congressistas, é atravessado o sinal vermelho".
Segundo Holmes, seu superior pediu para reunir documentos sobre os visitantes com o objetivo de conhecer "os pontos fracos sobre os quais poderíamos atuar para obter mais fundos".
O artigo afirma que o general Caldwell pediu em janeiro à administração 2 bilhões de dólares para treinar 70 mil soldados das forças afegãs. Esta estratégia foi apoiada pelo senador Levin, presidente da comissão de Defesa.
Em um comunicado, Levin lembrou nesta quinta-feira que apoiava há tempos a ampliação das forças armadas no Afeganistão e que não "precisava ser convencido".
O senador garantiu estar "confiante" de que o Exército investigará as acusações divulgadas na revista.
A Rolling Stone publicou em junho de 2010 uma entrevista com o general Stanley McChrystal, então comandante das forças internacionais no Afeganistão, na qual criticava a administração Obama. Terminou por se demitir após o escândalo provocado por suas declarações.