Tailândia e Camboja aceitaram nesta terça-feira a proposta de seus parceiros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) de permitir que observadores indonésios supervisionem a zona fronteiriça cuja soberania está em disputa armada.

O acordo foi alcançado durante a reunião urgente que os dez ministros do grupo regional realizaram em Jacarta com a finalidade de buscar uma saída diplomática ao conflito que evite novos confrontos entre as tropas tailandesas e cambojanas.

O encontro ocorreu a pedido da Indonésia, que neste ano ostenta a Presidência rotativa da Asean, organização à qual o Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu na semana passada a adotar um papel de mediador do conflito.

No final da reunião, o chefe da diplomacia indonésia, Marty Natalegawa, indicou em entrevista coletiva que os 40 observadores de seu país serão colocados nos lados da fronteira.

Tailândia e Camboja se acusam mutuamente de ter provocado os confrontos travados no início de fevereiro e que causaram ao menos oito mortos, dezenas de feridos e ao redor de 30 mil deslocados a ambos os lados da fronteira.

Natalegawa explicou que havia elaborado plano de desdobramento dos observadores militares e civis e que este seria assinado pelos ministros nas próximas horas.

"Indonésia observará os dois lados da fronteira. Terá uma equipe de observação para manter a paz e usará armas", explicou o ministro após o encontro.

A incumbência dos observadores será obter informações sobre movimentos de tropas e outras ações militares que possam levar ao reatamento das hostilidades.

Natalegawa acrescentou que o Camboja e a Tailândia solicitaram ao Governo indonésio sua mediação nas conversas bilaterais que planejam manter, e cuja data de início ainda deve ser fixada.

Antes do encontro, Natalegawa advertiu que para a Asean, grupo que pretende criar mercado comum em 2015, não era opção resolver a disputa mediante o emprego das armas.

Em nota, o secretário-geral da Asean e ex-ministro de Assuntos de Exteriores da Tailândia, Surin Pitsuwan, classificou de "histórico" o acordo para enviar observadores à região perto das milenárias ruínas do templo de Preah Vihear, peça central da disputa.

"Certamente, é um dia histórico para Asean. É um grande passo em nossos esforços de construir uma comunidade regional, mas é só o princípio e teremos de superar outros desafios", apontou o secretário-geral da organização de países do Sudeste Asiático.

Camboja e Tailândia arrastam conflito desde julho de 2008, quando a Unesco reconheceu o templo Preah Vihear, do século XI, como patrimônio da humanidade no Camboja.

O Governo tailandês apoiou inicialmente a decisão, no entanto, a pressão da oposição levou a Unesco a adiar a declaração até alcançar acordo sobre a fronteira com o Camboja.

Tailândia admite que o conjunto monumental fique no território cambojano, mas reivindica zona de 4,6 quilômetros quadrados nos arredores do templo.

No ano 2000, Tailândia e Camboja assinaram memorando de entendimento para criar uma comissão bilateral encarregada de delimitar a fronteira.

A Asean é formada por Mianmar (Mianmar), Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.