A Polícia Federal em Minas Gerais deflagrou nesta terça-feira a Operação Efeito Colateral, com o objetivo de reprimir o comércio ilegal de anfetaminas, comumente utilizadas em processos de emagrecimento. Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estão cumprindo sete mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão, emitidos pela Justiça Federal de Ipatinga, nas cidades mineiras de Resplendor, Conselheiro Pena e Cuparaque e também em Nova Venécia, Ecoporanga, Barra de São Francisco e Baixo Gandu, estas no Espírito Santo.

Sete dos mandados de apreensão estão sendo cumpridos em farmácias. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Gerência Regional de Saúde de Minas Gerais disponibilizaram fiscais para auxiliarem nas buscas.

Colaboração internacional
A operação teve início em outubro do ano passado, tendo como principais alvos proprietários de farmácias de manipulação atuantes no leste mineiro e no interior capixaba. As investigações começaram a partir do intercâmbio de informações entre a Polícia Federal e o DEA (Drug Enforcement Administration), a agência de drogas dos Estados Unidos. Os empresários utilizavam-se de brasileiros residentes em diversas cidades americanas para remeterem, especialmente via correios, medicamentos como femproporex, amfepramona e fluoxetina.

Já foram apreendidas, durante os meses de investigação, 605 fórmulas de medicamentos, o que resulta em aproximadamente 43 kg, sendo que dez pessoas foram presas, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos. Parte das apreensões ocorreu com o auxílio da Gerência de Segurança Operacional dos Correios em Belo Horizonte.

As anfetaminas
As anfetaminas são drogas sintéticas comumente utilizadas no Brasil para obter melhores resultados nos tratamentos de emagrecimento, como moderadores de apetite. Há regulamentos da Anvisa que permitem o uso desses medicamentos, desde que receitados por médicos e dentro de certas dosagens. A venda dos produtos depende de receita médica, que deve ser retida pela farmácia. No curso das investigações, perícias demonstraram que em algumas pílulas havia uma concentração até dez vezes maior que a legalmente permitida no Brasil.

Os detidos foram indiciados por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, com penas que variam de cinco a 15 anos, podendo ter acréscimo em virtude da transnacionalidade do delito. Eles ficarão recolhidos em Governador Valadares (MG), à disposição da Justiça Federal.