A Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) afirmou estar "inquieta" pela "difícil situação" no norte da África e seus efeitos na imigração ilegal que está afetando seus países.

"Estamos estudando a difícil situação que temos adiante. Estamos preocupados com a sucessão de fatos no norte da África", disse a porta-voz para Assuntos Internos da UE, Michele Cercone.

A UE mostrou-se segura, no entanto, quanto à sua gestão da crise e a prontidão na tomada de decisões.

Michele ressaltou que "em apenas quatro dias" se programou e iniciou no terreno uma missão Frontex (a agência europeia de controle de fronteiras) para ajudar a Itália a conter a imigração na ilha de Lampedusa, onde na última semana chegaram mais de 5 mil imigrantes procedentes da Tunísia e de países vizinhos.

Esta operação da Frontex faz parte do conjunto de medidas da Comissão Europeia para enfrentar estes fluxos migratórios, incluindo a cooperação com as autoridades tunisianas, a assistência financeira e a ajuda do Serviço Europeu de Polícia (Europol) .

A porta-voz destacou que não se descarta financiar projetos de cooperação à imigração legal, mas que "não permitirá que nem 1 euro" chegue "diretamente às autoridades líbias".

Em setembro passado, o líder líbio, Muammar Kadafi, pediu 5 bilhões de euros anuais à UE para combater a imigração ilegal procedente da África.

Outro episódio tenso nas relações entre a UE e a Líbia aconteceu há quase um ano, quando Trípoli derrogou a concessão de vistos aos cidadãos do Espaço Schengen como represália pela detenção em Genebra de um dos filhos do líder líbio, Hannibal Kadafi.

"Uma reflexão política mais ampla" sobre as consequências para a política de imigração da UE das revoltas na bacia mediterrânea está sendo discutida no conselho de Assuntos Exteriores realizado nesta segunda-feira e também será objeto de debate na quinta-feira durante o conselho de ministros do Interior.