Manifestantes antigoverno se aproximaram ainda mais da capital líbia neste domingo, enquanto violentos confrontos voltaram a ocorrer na cidade de Benghazi, numa escalada que, de acordo com a organização Human Rights Watch, pode terminar em massacre, com quase 200 pessoas mortas pelas forças de segurança até agora.

"Há 173 mortos. É um balanço prudente baseado em fontes hospitalares no leste da Líbia, em Benghazi e em outros três lugares", disse à AFP Tom Porteous, porta-voz da ONG em Londres.

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"É um balanço incompleto, e há também um grande número de feridos. Segundo fontes médicas na Líbia, os ferimentos das vítimas indicam que (as forças de segurança) estão usando armas pesadas contra os manifestantes", destacou Porteous.

Um médico na cidade de Benghazi afirmou à Associated Press, porém, que viu pelo menos 200 corpos de manifestantes mortos pelas forças de segurança de Gaddafi nos últimos dias. O oficial falou em condição de anonimato por medo de represálias.

Testemunhas relataram à France Presse por telefone que as forças do governo atacaram os manifestantes na cidade de Misrata, no Mediterrâneo, a 200 quilômetros da capital Trípoli.

Os manifestantes também voltaram a ocupar as ruas de Benghazi, a 1.000 quilômetros da capital, onde a repressão --apoiada por "mercenários africanos", segundo as testemunhas-- atira contra a multidão "indiscriminadamente".

"Os advogados estão protestando em frente ao tribunal de Benghazi, há milhares de pessoas lá. Estamos chamando (o local) de 'Praça Tahrir 2'", disse o advogado Mohammed al-Mughrabi, referindo-se à praça onde os manifestantes se concentraram no Egito por 18 dias para derrubar o presidente Hosni Mubarak.