A sexta-feira será mais um dia de tensão no Oriente Médio. Duas pessoas morreram em protestos contra o regime do Iêmen. Já no Irã, milhares de partidários do governo saíram às ruas de Teerã após as orações para pedir o julgamento e a execução dos líderes da oposição. O ato foi convocado por autoridades da República Islâmica para expressar sua ira contra os chefes do movimento reformista. O regime autoritário e intolerante do presidente Mahmoud Ahmadinejad reagiu com violência a um protesto contra o governo, na última segunda.
Os governistas se concentraram na Universidade de Teerã e gritaram slogans, como "morte a Musavi, morte a Karubi" e "Musavi e Karubi devem ser enforcados", em referência aos principais líderes opositores. As autoridades iranianas convocaram a manifestação para depois das orações com objetivo de expressar "seu ódio, sua ira e sua rejeição aos crimes selvagens e repugnantes dos chefes da oposição”, a quem chamam de “separatistas”.
Durante o protesto, do qual participavam famílias com crianças pequenas e adolescentes, também era possível escutar os tradicionais slogans de "morte a Israel" e "morte aos Estados Unidos", e muitos manifestantes culpavam "os estrangeiros" por promover "uma conspiração" para derrubar o regime.
A mobilização governista ocorre como forma de abafar os protestos da oposição, insatisfeita com o regime autoritário de Ahmadinejad, reeleito em 2009 sob suspeitas de fraude. Na última terça-feira, dezenas de deputados iranianos pediram no Parlamento pena de morte aos líderes do movimento reformista.
Os manifestantes antigoverno haviam saído às ruas na véspera após meses de silêncio, inspirados pelas revoltas do norte da África. Eles acusaram o regime iraniano de "hipócrita", já que apoiou os protestos populares na Tunísia e no Egito, mas impede que mobilizações sejam realizadas no país.
Iêmen - A onda de protestos no mundo islâmico também provoca tensão no Iêmen. Nesta sexta-feira, dois manifestantes morreram e 27 ficaram feridos na explosão de uma granada durante um protesto contra o governo na cidade de Taez, sul de Sanaa, afirmaram fontes médicas.
Mais cedo, as agências de notícias informaram que cinco pessoas haviam morrido até a noite de quinta-feira, vítimas da repressão policial contra os manifestantes. Eles têm saído às ruas desde o final de janeiro para exigir a queda do regime de Ali Abdallah Saleh, no poder há 32 anos.