Um dos membros do movimento de oposição argelino, Coordenação Nacional para a Mudança e a Democracia (CNCD), Mustafá Buchachi, anunciou neste domingo uma nova marcha para 19 de fervereiro em Argel.
Duas mil pessoas convocadas pela oposição se manifestaram no sábado na capital argelina para pedir uma mudança de sistema e exigir que os líderes do país renunciem a exemplo da Tunísia e Egito.
Um forte dispositivo policial fez inúmeras prisões.
Também foram registradas manifestações em cidades como Orã e Annaba.
Cerca de 30.000 policiais tentaram impedir a marcha que percorreu 4 km entre a Praça da Concórdia e a Praça dos Mártires na capital.
Os manifestantes encontraram um grupo de 40 jovens que gritavam seu apoio ao presidente argelino, Abdelaziz Buteflika. "Buteflika não é Mubarak", exclamavam.
As famílias dos desaparecidos dos anos negros da violência islamita se uniram à manifestação para reclamar a verdade sobre a sorte de seus parentes.
Segundo o ministério do Interior, 250 pessoas participaram na manifestação na Praça da Concórdia, mas os jornalistas calculam que o número de manifestantes era de 2.000.
O ministério do Interior disse que 14 pessoas foram brevemente presas, mas a Liga Argelina para a Defesa dos Direitos Humanos (LADDH) anunciou que houve mais de 300 presos em Argel, Orã (oeste) e Annaba (leste).
"Alguns foram libertados, mas outros continuam detidos", declarou à AFP o presidente da LADDH, Mustapha Bouchachi.
A polícia prendeu Fodiol Bumala, um dos fundadores da CNCD, que havia convocado a marcha, e o deputado opositor Othman Mazuz.
Entre os manifestantes, que gritavam "Argélia livre", estavam Said Sadi, presidente do partido opositor Assembleia pela Cultura e a Democracia (RCD), e o líder islâmico Ali Belhadj, do partido dissolvido Frente Islâmica de Salvação (FIS).
Em Argel, 20 jovens desafiaram os manifestantes e declararam apoio ao presidente argelino Abdelaziz Buteflika.
Eles gritavam "Buteflika não é Mubarak".
Em Orã, a grande cidade do oeste da Argélia, 400 pessoas, incluindo vários artistas, se reuniram na Praça Primeiro de Novembro.
Frente à estação central de Tizi Uzu, principal cidade de Kabília, alguns jovens queimaram pneus.
A wilaya (prefeitura) de Argel havia negado o pedido de autorização para a marcha da oposição e propôs como alternativa a organização de um protesto em locais como um complexo olímpico.
A Cooperação Nacional para a Mudança e a Democracia (CNCD), que agrupa a oposição e a sociedade civil, convocou a marcha pedir, entre outras coisas, a suspensão do estado de emergência, em vigor desde fevereiro de 1992 e uma "mudança de sistema".
Na semana retrasada, o presidente Abdelaziz Bouteflika afirmou que o estado de emergência será levantado "em um futuro próximo".
O estado de emergência foi instalado unicamente em resposta "à luta contra o terrorismo", afirmou Bouteflika.
O anúncio foi feito em meio a pedidos de membros da sociedade civil e partidos de oposição, que pedem o fim do estado de emergência da Argélia, país que enfrentou um conflito brutal em 1990 com insurgentes islâmicos que matou milhares de pessoas.