O CadaMinuto em contato com o advogado do ex-deputado João Beltrão, na manhã desta quarta-feira (09) afirmou que não teve nenhum tipo de contato com o cliente após saber do decreto de prisão expedido por juízes da 7ª e 17ª Vara Criminal de Maceió. Beltrão é acusado pela morte do cabo Gonçalves, morto há 15 anos em um posto de combustíveis, no bairro da Serraria.

José Fragoso admitiu que passou a noite acordado produzindo o pedido de habeas corpus. “Nesse momento estou me dirigido para a sede do Tribunal de Justiça para entregar o pedido de soltura. Não tive contato nenhum com o meu cliente ainda. Passei a noite acordado preparando documentação”, falou Fragoso.

João Beltrão e o ex-deputado federal Francisco Tenório, são apontados como os autores intelectuais da morte do Cabo Gonçalves. A trama para morte do ex-militar foi arquitetada em uma das fazendas do atual deputado estadual Antonio Albuquerque. João Beltrão é considerado foragido da justiça.Ontem policiais civis cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do ex-parlamentar, localizada no condomínio de luxo, Aldebaran.


Cavalcante
O ex-tenente coronel Manoel Francisco Cavalcante apontou, durante depoimento na 7ª Vara Criminal da Capital, o envolvimento de três deputados na morte do ex-cabo da PM José Gonçalves da Silva Filho.


No depoimento, que aconteceu a portas fechadas ao juiz Maurício Brêda, Cavalcante acusou os deputados estaduais Antônio Albuquerque, João Beltrão e o deputado federal Francisco Tenório como os autores intelectuais no crime do ex-cabo Gonçalves, morto em maio de 1996, num posto de combustíveis localizado na Via Expressa, bairro da Serraria, em Maceió.


Cavalcante denunciou que o Cabo Gonçalves, que trabalhava com o deputado João Beltrão, se desentendeu com o então deputado e teve sua morte decretada em uma reunião acontecida na fazenda do deputado Antonio Albuquerque, com a participação do atual deputado federal Francisco Tenório.O detalhe é que Beltrão e Albuquerque chegaram a ser presos por este crime.


Os últimos passos de Gonçalves
O Cadaminuto apurou que o inquérito, que na época foi reaberto após as denúncias de Cavalcante, relata os últimos passos do cabo Gonçalves, que estava morando em Natal, RN, após o desentendimento com o deputado João Beltrão e teria vindo para Maceió registrar um filho seu.


De acordo com o que foi levantado no inquérito Gonçalves teria ligado para Francisco Tenório pedindo uma ordem de abastecimento e ao chegar ao posto foi surpreendido por doze homens que executaram o militar. “Foi uma covardia o que aconteceu, 12 homens fortemente armados atirando contra um militar que só tinha um .38 velho no seu bolso” disse um amigo de Gonçalves ouvido pela equipe do Cadaminuto na época.


A irmã do Cabo Gonçalves, Ana Gonçalves explicou no ano passado ao Cadaminuto que a família nunca procurou fazer justiça, sob nenhum motivo, e confirmou que no dia da morte seu irmão havia saído da casa de um parente apenas para reabastecer o carro. “Eu tinha falado a meu irmão que enquanto ele estivesse vivo de tudo, mas tudo mesmo, faria por ele. Ele sabia que no dia que morresse eu nada mais faria”. Ana disse na época que não temia represálias.


“Se mata por qualquer coisa em Alagoas. Falta amor no coração das pessoas”, explicou ela confirmando que o irmão Del fez várias denúncias sobre o crime organizado e que o preço que ele pagou foi a sua vida.