As reformas propostas pelo regime do presidente egípcio Hosni Mubarak para sair da crise política são "insuficientes", considerou neste domingo a Irmandade Muçulmana, primeira força de oposição no Egito.

A organização afirmou que os acordos anunciados no final da reunião com o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, e outros representantes políticos , a primeira desde o início dos protestos contra o presidente Mubarak, há 13 dias, são "só um primeiro passo".

Na reunião deste domingo, foi acertada a realização de reformas constitucionais, coordenadas por um comitê e o fim da Lei de Emergência, vigente no país desde 1981. Foi acordada a alteração dos artigos 76 e 77 que estipulam os requisitos para ser candidato presidencial, e o número de mandatos que o presidente pode permanecer no poder.

"A reunião de hoje é apenas um primeiro passo para examinar o regime (de Hosni Mubarak) e ver se realmente tem boas intenções", afirmou em entrevista coletiva o dirigente da organização islâmica Saad Katatni.

Abdul Monim Abo al-Fotoh, membro da Irmandade Muçulmana, disse à Al Jazeera que a participação do grupo na reunião deste domingo não quer dizer que a exigência da saída de Mubarak foi abandonada. Desde o início dos protestos, o grupo havia colocado como condição para dialogar com o governo a saída de Mubarak do cargo.

"Não podemos conversar nem negociar [sem essa condição]. Nós dialogamos com uma condição chave que não será abandonada. Mubarak deve se afastar para permitier que o país avance democraticamente", disse.

Neste domingo foram publicadas novas informações vazadas pelo WikiLeaks sobre o Egito. O conteúdo levanta dúvidas sobre a capacidade de Suleiman de atuar um fiador honesto para a crise política enfrentada no país.

Segundo informações da agência de notícias Reuters, Suleiman buscou demonizar a Irmandade Muçulmana em seus contatos com funcionários do governo norte-americano. Entre as críticas feitas ao grupo, o novo vice-presidente acusou o grupo de incentivar extremistas armados e avisou em 2008 que se em algum momento o Irã apoiasse o grupo islâmico, Teerã se transformaria em "nosso inimigo".