O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, recusou neste domingo um pedido da oposição para que assuma os poderes do ditador Hosni Mubarak, alvo de protestos há duas semanas, afirmou um dos participantes do diálogo entre o governo e a oposição.

"Pedimos que o presidente delegue a ele seus poderes, de acordo com as prerrogativas que lhe concedem o artigo 139 (da Constituição), mas (ele) rejeitou", declarou à France Presse este dirigente de um partido da oposição, que preferiu não ter o nome divulgado

Representantes da oposição se reuniram hoje com Suleiman para discutir uma saída para a atual crise política no Egito. No encontro, eles concordaram em formar uma comissão, com representantes políticos e membros do judiciário, para estudar e propor emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias.

Os grupos de oposição avaliaram como positivo o encontro, mas indicaram que a reunião não trouxe nada de específico para atender as suas demandas para uma reforma política completa no Egito. Um comunicado do governo divulgado após a o diálogo informou que o ditador Hosni Mubarak continua no poder para "supervisionar" as mudanças.

"Representantes de todos os partidos políticos, sociedade civil e os representantes que fazem oposição ao regime, se reuniram com o vice-presidente, Omar Suleimen, hoje e concordaram em elaborar um roteiro (para sair da crise)", disse um porta-voz do governo

Para Abdel Monem Aboul Fotouh, membro da Irmandade Muçulmana -- partido de maior oposição --, diz que o anúncio do governo representa "boas intenções", mas não incluem mudanças sólidas".

"Precisamos que Mubarak assine o decreto presidencial para alterar os artigos 76 e 77, dissolva o parlamento, liberte todos os políticos detidos, e o governo sabe muito bem, suspenda a Lei de Emergência", indicou.

"Até lá, os jovens continuarão nas ruas e, ao mesmo tempo, as discussões vão continuar", reforçou.

Fotouh se referiu aos artigos da Constituição sobre a candidatura presidencial, que hoje colocam o partido de Murabak numa posição para escolher o próximo nome a assumir o regime e o outro que permite com que um presidente concorra a um número ilimitado de vezes para o cargo.

De acordo com um comunicado reproduzido na emissora oficial do país, o governo havia concordado com alteração dos artigos na reunião com a oposição neste domingo. Além disso, segundo a nota, os participantes conseguiram negociar a suspensão da Lei de Emergência.

"A reunião foi positiva em geral, mas é só o começo", disse Mustafa Naggar, coordenador da Assembleia Nacional para a Mudança (ANC, por sua sigla em inglês), liderada pelo Nobel da Paz Mohamed ElBaradei.