O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, afirmou nesta quinta-feira que o atual chefe de estado, Hosni Mubarak, não se apresentará como candidato nas próximas eleições presidenciais, assim como o filho mais novo do líder, Gamal. Segundo a rede de televisão estatal, Suleiman pediu, além disso, a libertação imediata de todos os jovens detidos durante os protestos ocorridos no país que não estejam envolvidos em ações criminosas.
Diante do cenário de tensão vivido há dez dias no país, ex-ministros e ex-funcionários públicos do Egito, incluindo o ex-ministro do Interior Habib El Adly e o magnata do aço Ahmad Ezz, foram proibidos de sair do país, indicou a justiça egípcia nesta quinta-feira, citada pela TV estatal.
Os confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao presidente Hosni Mubarak voltaram a se intensificar nesta quinta-feira. O Exército criou uma "zona neutra", de cerca de 80 metros, próximo à praça central, para tentar isolar os grupos rivais. Porém, ambos voltaram a se atacar com pedras. Os favoráveis ao governo chegaram a invadir a área isolada, mas os militares os forçaram a retroceder.
O ministro da Saúde divulgou pela TV estatal que cinco pessoas morreram desde quarta-feira, vítimas da violência na praça. Foram levadas aos hospitais 836 pessoas, das quais 86 continuavam internadas, segundo Ahmed Samih Farid. Desde o início dos protestos, que já duram dez dias, pelo menos 100 pessoas morreram, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 300. Não há cifras oficiais, e os números são frequentemente contraditórios.
Oposição - Representantes dos partidos da oposição do Egito desmentiram nesta quinta-feira o anúncio oficial realizado pelo governo sobre o início do diálogo entre o vice-presidente e as demais forças políticas do país. A Coalizão Nacional pela Mudança, que reúne os principais grupos de oposição, rejeitou ainda qualquer diálogo com o regime se o ditador Hosni Mubarak não renunciar.
Nesta quinta, a televisão estatal egípcia divulgou a notícia de que Suleiman tinha começado a dialogar com a oposição egípcia, dois dias depois de Mubarak ter anunciado que essa seria uma de suas funções no cargo de vice. Mas o dirigente do partido Ghad, Ayman Nour, afirmou que "as informações são falsas" e que "não houve participação em qualquer tipo de conversa". "O sangue ainda está derramado no solo da Praça Tahrir", lamentou.
"Nossa decisão é clara: não haverá negociações com o governo antes que Mubarak saia. Depois disto, estaremos prontos para dialogar com Suleiman", declarou ainda Mohammed Abul Ghar, porta-voz da Coalizão Nacional pela Mudança, que tem como membros o Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, além de integrantes da poderosa Irmandade Muçulmana e do movimento Kefaya.
EUA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que está rezando pelo fim da violência e por dias melhores para o país. "Oramos para que a violência no Egito acabe, que os direitos e as aspirações dos egípcios se realizem e que dias melhores cheguem ao Egito e ao mundo inteiro", afirmou.
O Departamento de Estado americano denunciou, ainda, uma campanha organizada contra os meios de comunicação estrangeiros que cobrem a rebelião popular contra o regime do presidente egípcio Hosni Mubarak. "Assistimos a uma campanha organizada a fim de intimidar os jornalistas estrangeiros no Cairo e perturbar seu trabalho de reportagem", afirmou o porta-voz da diplomacia americana, Philip Crowley, em seu Twitter. "Condenamos essos atos", acrescentou. Os jornalistas foram alvo de graves ataques por parte de partidários do presidente Mubarak, que os acusa de desestabilizar o regime.