O primeiro-ministro da Junta Militar de Mianmar, Thei Sein, foi eleito nesta quinta-feira pelo novo Parlamento para uma das três Vice-Presidências do país e se coloca como principal aspirante para o cargo de presidente, informou a rede de televisão estatal.

Thein Sein, braço direito do chefe da Junta Militar, o general Than Shwe, foi nomeado pelos representantes da Câmara Baixa em detrimento de Saw Thein Aung, líder do partido que representa a etnia karen.

Um segundo vice-presidente foi designado pelos membros da Câmara Alta, Sai Mon Khun, um médico membro da minoria étnica shan, que ficou na frente de Aye Maung, do Partido do Desenvolvimento Rakhine, outro representante das minorias.

Os dois vice-presidentes, escolhidos entre os cinco candidatos à Presidência propostos na segunda-feira pelo Parlamento, são membros do Partido do Desenvolvimento e a Solidariedade da União, ligado ao regime.

O terceiro vice-presidente deve ser o general reformado Tin Aung Myint Oo, que ocupa o cargo de terceiro secretário da Junta Militar.

A candidatura de Tin Aung foi a única proposta pelos parlamentares designados pelo Exército, ao qual a Constituição reserva 25% das cadeiras em cada uma das câmaras.

O Parlamento prevê se reunir novamente nesta sexta-feira para escolher o presidente, cargo que tem como favorito Thein Sein, estreito colaborador do general Than Shwe, que deve conservar o controle do país que lidera desde 1992.

Thein Sein renunciou à carreira militar para comandar o Partido do Desenvolvimento e Solidariedade da União, com o qual venceu as eleições realizadas em novembro passado ao conseguir 77% das cadeiras em disputa.

Embora o novo sistema político birmanês abra uma via para o debate parlamentar, o poder do Legislativo será limitado por normas, como a que estabelece que toda pergunta ou proposta que se pretenda levar ao plenário deve ser apresentada a uma comissão com dez dias de antecedência e com autorização prévia.

As eleições de novembro, as primeiras após 22 anos de um ferrenho regime militar, foram boicotadas pela líder opositora Aung San Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND), ao considerar que os generais tinham o objetivo de se perpetuar no poder.