O Ministério da Saúde do Egito elevou o número oficial de mortes nos dois dias de episódios violentos no Cairo, capital do país, para 13 nesta quinta-feira (3). Ao total, 1.200 pessoas ficaram feridas nos enfrentamentos. Os dados foram divulgados pelos jornais europeus Le Monde e The Guardian.

Desde 25 de janeiro manifestantes pedem a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, no poder desde 1981. No entanto, após alguns episódios violentos com a polícia na última semana, manifestantes a favor de Mubarak - denunciados como elementos pagos para semear o caos - provocaram um embate com os opositores do presidente nesta quarta-feira.

A violência continua forte no Egito nesta quinta-feira e as imagens da rede de TV CNN mostram troca de lançamento de pedras entre os manifestantes.

Um estrangeiro foi espancado até morrer na praça Tahrir, informaram médicos e testemunhas, em meio a uma escalada da violência entre manifestantes contra e pró-governo, informou a agência de notícias France Presse.

A identidade e a nacionalidade da vítima ainda são desconhecidas.

Casa Branca condena tratamento dado a jornalistas no Egito

A Casa Branca condenou o "tratamento dado aos jornalistas no Egito" que trabalham na cobertura dos conflitos no Cairo e afirmou que "os detidos devem ser libertados", informou a France Presse.

A condenação foi feita por Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, e ocorre pouco após a divulgação da detenção pelo Ministério do Interior do Egito de 12 jornalistas no Cairo, entre os quais a chefe e a fotógrafa da delegação egípcia do jornal Washington Post, Leila Fadel e Linda Davidson.

A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) já havia condenado as agressões sofridas por jornalistas estrangeiros cometidas supostamente por partidários do presidente Mubarak e as qualificou de "repulsivas", informou a agência de notícias espanhola EFE.

No entanto, não apenas jornalistas foram presos no país. A rede CNN e o jornal parisiense Le Figaro informaram que ao menos dois trabalhadores humanitários foram presos no Centro Jurídico Hisham Mubarak, no Cairo.

Os detidos pertencem à Anistia Internacional e à organização Human Rights Watch. Um comunicado divulgado pela organização ainda diz que se desconhece o local para onde foram levados.

Em discurso na TV, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, pediu a "libertação imediata" de jovens militantes não envolvidos em atos criminosos. Ele também disse que não será candidato às eleições presidenciais de setembro.

Antes desta declaração, o vice-presidente anunciou, em nota lida pela televisão, que o filho de Mubarak não se apresentaria às eleições de setembro no Egito, numa tentativa de acalmar a oposição que teme a ascensão de Gamal ao poder.

ONU envia funcionários do Egito ao Chipre

Ainda como medida de precaução diante da escalada de violência no país, quatro voos fretados pela ONU (Organização das Nações Unidas) levarão do Egito para o Chipre cerca de 600 pessoas, entre funcionários da ONU e seus parentes, informou à agência Efe Rolando Gómez, porta-voz da missão de paz da ONU no Chipre.

O porta-voz do aeroporto de Larnaca, Adamos Aspris, assinalou que a ONU tentará estabelecer uma "ponte aérea" entre o aeroporto cipriota e o Cairo.

As autoridades aeroportuárias do Chipre iniciaram uma operação de emergência para avaliar as retiradas do Egito e organizar voos com estrangeiros.

Os dois primeiros voos transportarão 148 pessoas cada um, em um trajeto de menos de uma hora a partir do Egito.

Segundo Aspris, os aviões, após uma escala de meia hora para reabastecer no aeroporto cipriota, retornarão ao Egito para buscar os demais passageiros.