O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, afirmou nesta quinta-feira (3) que o presidente do país, Hosni Mubarak, e seu filho, Gamal, estão fora das eleições presidenciais marcadas para setembro. O anúncio ocorreu na TV estatal, de acordo com a agência de notícias France Presse e o jornal parisiense Le Monde.

Suleiman se tornou o vice-presidente há poucos dias, após a onda de protestos contra Hosni Mubarak, que entrou em seu décimo dia hoje. Ele era até então apenas o principal comandante das Forças Armadas e um dos cotados para se candidatar nas próximas eleições pelo partido do presidente, caso ele não concorresse por motivos de saúde.

Vários relatos indicam que Mubarak, de 82 anos, sofre de câncer e que seu filho, Gamal, sofresse algum impedimento, como uma grande rejeição dos militares. Mubarak governa o Egito desde 1981.

Mubarak já havia anunciado anteriormente que não concorreria. Mas nem isso foi o suficiente para acalmar os ânimos dos manifestantes, que parecem dispostos a retirá-lo do poder imediatamente.

Violência atingiu o Cairo no nono dia de protestos

Nesta quarta-feira (2), no nono dia, um grupo de manifestantes a favor do presidente (dentre eles policiais disfarçados e ativistas pagos, segundo a oposição) atacou os opositores em seu principal ponto de concentração, a praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito.

Com alguns montados em cavalos e camelos, o ataque se transformou em violência generalizada, que terminou com o saldo de pelo menos cinco mortos (diferentes fontes apontam até oito mortos) e centenas de feridos. Grupos a favor de Mubarak também foram acusados atacar os jornalistas, com intimidações violentas e tomadas de equipamento.

As Forças Armadas passaram a agir mais efetivamente nesta quinta-feira para evitar novos confrontos violentos. Tanques evitaram que partidários do governo voltassem a se encontrar com a oposição.

Nesta quinta-feira, o novo primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, indicado na última semana, pediu desculpas aos manifestantes pelos choques do dia anterior.

Imagens veiculadas pela rede CNN mostram um veículo andando em alta velocidade e atropelando vários manifestantes contrários ao regime, no centro do Cairo. O jornal parisiense Le Figaro testemunhou tiros próximos à praça Tahrir.