O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse nesta quarta-feira que tratará a reforma política como prioridade, mas alertou que haverá "frustração" se a expectativa for por uma reforma ampla.

"Precisamos fazer um amplo debate sobre reforma política e voltar a deliberar sobre aquilo que nós formos capazes de construir consensos", disse Maia a jornalistas um dia depois de ser eleito para presidir a Casa.

Segundo ele, dessa forma será possível produzir em 2011 mudanças significativas na estrutura política do país, mas se o objetivo for "uma ampla e irrestrita reforma política", no final de 2011 estarão "frustrados".

Maia, que contou com apoio do Executivo para se eleger, afirmou que o debate sobre a reforma deve começar "imediatamente".

Ele disse ainda que dará prioridade à votação de projetos relacionados à erradicação da pobreza e à prevenção de catástrofes naturais. Os dois temas são pautas prioritárias defendidas pelo governo. Maia voltou a dizer que pretende colocar em votação em março o novo Código Florestal.

EMENDAS

O petista disse que trabalhará para convencer o Executivo sobre a importância das emendas parlamentares ao Orçamento e que precisam ser viabilizadas. Segundo ele, os parlamentares assumem compromissos com sua base eleitoral que não podem ser desfeitos pelo governo federal.

"O deputado quando apresenta uma emenda, quando discute com uma região, quando dialoga com o prefeito, com uma comunidade do interior e lhe dá esperança dessa comunidade ter resolvida sua demanda, não pode depois na hora que chegar no Orçamento ser cortada (esse emenda)", disse.

O deputado evitou se posicionar sobre o debate do reajuste do salário mínimo. Segundo ele, o tema é tratado por medida provisória e quando chegar o momento de ser votada no Plenário da Casa será feito o debate.

"O debate sobre a medida provisória será o momento de discutir e o Parlamento fazer as mudanças ou manter como está", disse, o ex-metalúrgico. Reconheceu que precisa continuar crescendo, mas ponderou que é preciso observar os gastos públicos. "Óbvio que também queremos que as contas públicas estejam equilibradas", disse.

O governo propõe elevar o mínimo deste ano de 510 reais para 545 reais, mas as centrais sindicais pressionam por 580 reais. A polêmica em torno do mínimo será o primeiro teste da presidente Dilma Rousseff no Congresso.

Maia venceu a eleição pela presidência da Casa com 375 dos 509 votos. À disputa, além do candidato Sandro Mabel (PR-GO), somaram-se na última hora Chico Alencar (PSOL-RJ) e Jair Bolsonaro (PP-RJ). Os concorrentes somaram 131 votos, número superior ao total de votos dos partidos de oposição (contabilizando os deputados do PSDB, do DEM, do PSOL e do

PPS).

O deputado, no entanto, não vê nisso um clima de insatisfação na base.

"Quando eu fui candidato à vice-presidência, sem concorrentes eu tive 425 votos. Então, há deputados que têm posições e convicções ideológicas e políticas muito consolidadas", disse.

Segundo ele, da mesma forma que deputados do PT têm dificuldade de votar em parlamentares de algumas legendas, o mesmo acontece com deputados de alguns partidos, pelo partido e pela ideologia.

"Isso é normal, temos uma variação de 100 para lá, 100 para cá", explicou.