Adversário do senador José Sarney (PMDB-AP) na disputa pela presidência do Senado, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) prometeu nesta terça-feira implantar uma "limpeza ética" na Casa se for eleito para o cargo.
Em discurso no plenário para defender a sua candidatura, Randolfe disse que o Senado não pode mais "jogar para debaixo do tapete" escândalos que marcam a administração da Casa --num recado ao adversário, envolvido no escândalo dos "atos secretos" do Senado em 2009.
"Minha candidatura é uma forma de dizer não à prática de jogar problemas éticos do Senado para debaixo do tapete. Vou implantar uma profunda auditoria na Casa e transformação dos atos e ações. Minha candidatura é dizer sim à tarefa de fiscalizar e afirmar-se como independente", disse.
O candidato prometeu, caso eleito, lutar pela independência do Senado frente ao Poder Executivo. "O Senado não é apêndice de interesses de nenhum outro poder. Não podemos aceitar de forma submissa a edição de medidas provisórias que não se enquadrem nos ditames constitucionais de urgência e relevância", afirmou.
Aos 38 anos, Randolfe é o mais jovem senador eleito do país e o mais votado nas eleições de 2010 no Amapá, com 203.259 votos. Antes de subir à tribuna para discursar, ele estava sentado ao lado do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), de quem foi adversário no passado por ter sido um dos "caras pintadas" que defendia o impeachment do ex-presidente.
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), tentou vetar o discurso de Randolfe no plenário. Renan lembrou que, na eleição de Sarney em 2007, os candidatos à presidência apenas discursaram porque havia uma disputa efetiva para o cargo --enquanto agora a candidatura do PSOL é um protesto contra Sarney.
SILÊNCIO
Ao contrário de Randolfe, Sarney optou por não discursar na sessão do Senado que vai eleger o novo presidente da Casa. O peemedebista acompanhou todo o discurso do adversário, mas manteve-se em silêncio.
O peemedebista tem o apoio de todos os partidos, com exceção do PSOL. A escolha de Sarney pelo PMDB foi uma estratégia para garantir a permanência da sigla no comando do Senado, uma vez que o nome do peemedebista é considerado como de "consenso" entre os senadores, inclusive os da oposição.
Pela tradição da Casa, a maior bancada eleita indica o presidente --prerrogativa que este ano cabia ao PMDB.