As autoridades egípcias detiveram o dirigente da oposição egípcia e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, informou nesta sexta-feira (28) a rede de televisão Al Jazeera, do Qatar.
Segundo a Jazeera, ElBaradei estava nesta sexta-feira em uma mesquita do bairro de Giza, e quando tentou sair dela foi impedido pela polícia, que também proibiu a saída do dirigente da oposição Ossama Ghazali.
O jornal parisiense Le Monde publicou que as autoridades também prenderam quatro jornalistas franceses. Outros profissionais de imprensa, egípcios, cerca de 20, já foram presos no início dos protestos, na última terça-feira (25).
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, governa o país desde 1981 e nunca, durante sua administração, enfrentou tamanha onda de protestos. Os egípcios pedem a saída de Mubarak e a implantação de uma democracia real, sem eleições fraudulentas, uma acusação que pesa sobre o governante egípcio.
Em novembro deste ano, o país deve passar por eleições presidenciais e Mubarak é um possível candidato. Outro nome cogitado é o de seu filho, Gamal.
Repressão se torna mais violenta a cada dia
Durante a ação que resultou na prisão de ElBaradei, houve confronto com policiais, como relatou um jornalista da agência de notícias France Presse.
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* Polícia e manifestantes se enfrentam
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A rede de TV americana CNN informou que em Alexandria também houve confrontos entre policiais e manifestantes, com o lançamento de bombas de gás lacrimogênio. A TV também relatou que policiais à paisana, mais numerosos do que os uniformizados, agrediram manifestantes. Havia barulho de tiros, de acordo com o relato do enviado da CNN ao local.
O jornal parisiense Le Figaro utilizou a manchete “Egito: uma contestação reprimida em um banho de sangue” em sua versão online nesta sexta-feira. O Figaro recolhe vídeos e relatos de agressões de policiais contra manifestações pacíficas. Um vídeo mostra um manifestante desarmado sendo baleado por policiais.
O Monde também traz o assunto e informa que as comunicações por celular, que haviam sido bloqueadas, voltaram a funcionar. A internet ainda se encontra com problemas. O governo do Egito alega que não interferiu nos sistemas de comunicação.
Em mais um ato de repressão, vários supostos líderes da Fraternidade Muçulmana, grupo de oposição de cunho islâmico oposto a Mubarak, foram presos nesta sexta-feira.