O dissidente cubano Guillermo Fariñas, que no ano passado ganhou do Parlamento Europeu o prêmio Sajarov, foi libertado na noite desta quarta-feira (26) após permanecer detido por seis horas em uma delegacia da cidade de Santa Clara, informou à agência de notícias Efe o próprio opositor.
Em conversa telefônica a partir de sua casa em Santa Clara, Fariñas explicou que foi detido por agentes da polícia cubana, junto a outras 22 pessoas, por "escândalo público", quando participavam de um protesto contra o despejo de uma mulher grávida e mãe solteira de dois filhos que se instalara em um imóvel abandonado.
A maior parte dos detidos é de membros do Fórum Antitotalitário Unido, liderado por Fariñas em Santa Clara, e da Coalizão Central Opositora, além de outros quatro cidadãos que não pertencem a organização dissidente alguma, segundo o relato do cubano.
Fariñas explicou que a mulher que estava sendo despejada pediu ajuda aos grupos de direitos humanos de Santa Clara, que acudiram para prestar assistência. Centenas de pessoas, segundo o dissidente, participaram do protesto. Na sequência, agentes da polícia política detiveram Fariñas e outras 22 pessoas e os conduziram a diversas dependências policiais da região.
O dissidente cubano afirmou que não foi maltratado durante a detenção e detalhou que recebeu uma "ata de advertência". Depois de ser libertado, ele foi levado para casa em um carro da polícia.
Em 24 de fevereiro do ano passado, depois da morte do opositor detido Orlando Zapata Tamayo após 85 dias de jejum, "Coco" Fariñas iniciou uma greve de fome para exigir a libertação dos prisioneiros políticos mais doentes. A greve durou até 8 de julho, quando o governo cubano anunciou seu compromisso de libertar 52 dissidentes do chamado Grupo dos 75.
A detenção desta quarta-feira foi a primeira de Fariñas após sua última greve de fome. Antes desse jejum, o dissidente também havia sido detido durante o sepultamento de Zapata.