O Brasil usará o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para retomar as conversas e negociações sobre a Rodada Doha. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, garantiu que se esforçará para tentar engajar os países a buscar uma conclusão no curto prazo.

"Uma das razões porque estou aqui é para tentar avaliar em que medida existe possibilidade de concluir em um prazo relativamente breve as negociações", afirmou em entrevista nesta sexta-feira.

Patriota sugeriu que examinará uma possível mudança na postura norte-americana de exigir novas concessões para a abertura de mercados emergentes.

"A posição dos Estados Unidos ouvi no ano passado, e como todo mundo sabe não ha levado a nenhum progresso. Portanto, estou aqui para ver se houve alguma evolução nessa posição".

As negociações para um acordo de liberalização do comércio mundial estão travadas há dois anos e meio e se prolongam desde 2001. O ministro reiterou que a visão do Brasil não mudou.

"Consideramos que em julho de 2008 foi 80%, 90% do trabalho e isso não deve mudar. Falta avançar em outras áreas, como indicações geográficas. Aí sim pode-se negociar, mas sobre a base do que já foi avançado".

Para exemplificar, o ministro falou do acordo entre União Europeia e Mercosul, em fase de adesão. De acordo com ele, as conversas só avançaram porque tiveram como base progressos já realizados. "São bases mais realistas de negociação", disse. Uma nova reunião entre União Europeia e Mercosul está prevista para março, segundo Patriota.