‘Afronta’ é o sentimento das entidades sindicais de Alagoas sobre o possível retorno do Deputado Antonio Albuquerque (PT do B) à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. “Isso é uma afronta a sociedade alagoana, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário Alagoano. A indicação de duas chapas composta por taturanas é um absurdo”, declarou Antonio Fernando, integrante do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral em Alagoas (MCCE).
Albuquerque foi apontado pela Polícia Federal, em 2007, como ‘chefe da quadrilha’ responsável pelo desvio de mais de R$ 300 milhões, dos cofres da Assembleia. O esquema desencadeou na maior operação Poder Legislativo no Brasil, a Operação Taturana.
O representante do MCCE lembrou que as declarações dadas pelo governo sobre a eleição da Mesa não podem vir ‘por água abaixo’. “Na época da operação, o atual vice-governador Nonô expulsou o Antonio Albuquerque do seu partido pelo seu envolvimento no roubo. Pedimos que o Governo mantenha sua posição e fique longe da decisão para não se contaminar”, enfatizou.
As palavras do diretor do MCCE foram acompanhadas pelo presidente do Sindicato dos Agentes da Polícia de Federal em Alagoas (Sinpofal), Jorge Venerando. “Lamento profundamente a volta desse deputado à Mesa Diretora. Isso é uma afronta extrema a sociedade, a Polícia Federal e aos outros órgãos que estiveram empenhados para afastar um parlamentar que foi preso e indiciado pela Polícia Federal”, afirmou Venerando.
OAB
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Alagoas, Omar Coelho, houve uma falha total do Poder Judiciário Alagoano e uma ausência de imposição da casa com relação à volta dos deputados envolvidos na Operação Taturana.
“O Judiciário nunca disse quem é quem nesse esquema. Não se pode condenar ninguém sem uma decisão tramitada e julgada. Diante de um quadro desse a eleição da Mesa é encarada normalmente”, declarou Omar.
Representação no CNJ
Mais de 50 entidades sindicais vão entrar com uma representação contra o Juiz Gustavo de Souza Lima no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedido a sua destituição do cargo. Gustavo Lima é responsável pelo processo da Operação Taturana.
Para Antonio Fernando, o juiz não teve coragem em julgar o afastamento dos deputados. “O Juiz não teve coragem de julgar uma ação cautelar que pedia o afastamento dos deputados, imagine julgar a condenação deles”.
