O chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil do Rio, Marcus Maia, disse em entrevista na tarde desta segunda-feira (24) ser “pouco provável” que tenham sido intencionais os tiros que acertaram o prédio da Prefeitura da cidade e um helicóptero da Rede Globo, durante operação na zona norte, de manhã. Um homem morreu durante a ação.
A operação, deflagrada às 6h15 com 150 homens de sete delegacias especializadas, seguiu para as comunidades São Carlos, Mineira, Querosone e Zinco, todas em Estácio, além do morro da Mineira, no Catumbi. Pouco depois das 7h, um helicóptero da Rede Globo foi alvo de pelo menos dois disparos e teve de fazer um pouso de emergência no aeroporto de Jacarepaguá, na Barra (zona oeste). Nenhum dos três ocupantes ficou ferido.
Pouco mais de uma hora depois, foi a vez de o prédio da Prefeitura do Rio ser o alvo, no bairro Cidade Nova (região central): segundo a assessoria de imprensa do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o Centro Administrativo São Sebastião foi atingido em cinco janelas de três andares, também sem feridos.
O prédio foi atingido no 10º andar -- onde funciona a secretaria de Urbanismo -- e no 14º -- onde está a Controladoria Geral do Município. A assessoria da Prefeitura disse que o andar do gabinete do prefeito, o 13º, não foi atingido. A estrutura de vidro entre os 4º e 5º andares também foi alvejada.
Em nota oficial, a equipe de comunicação de Paes disse que "reafirma seu apoio e sua confiança na política de segurança do governo estadual" no combate ao crime organizado e nas ações de pacificação.
Uma pessoa foi ferida e liberada em seguida, porque, segundo a polícia, não haveria elementos que permitissem a prisão mem flagrante. O suspeito morto foi identificado apenas como “Tiago” -- não foram informados idade, de qual comunidade ele seria nem se tinha passagem pela polícia ou se havia entrado em confronto com os agentes, durante a operação. O adolescente apreendido tem 17 anos.
De acordo com o coordenador do Core, a operação não está relacionada à eventual instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na região, uma das que ainda não foram pacificadas. Quanto aos tiros à aeronave e à sede do Executivo municipal, reforçou: “É pouco provável que tenham sido intencionais, até pela situação, mas a gente não descarta essa hipótese. Quem atirou não tem o mínimo compromisso com o tiro”, disse, negando que vá haver, por exemplo, algum esquema diferenciado de segurança na Prefeitura.
Saldo
Além do adolescente apreendido, a operação teve ainda quatro suspeitos de atuação no tráfico de drogas feridos e encaminhados para hospitais e um homem preso em flagrante, de posse de uma escopeta. Os agentes também apreenderam material para comercialização de drogas e contabilidade do tráfico, 16 facões, 300 quilos de maconha, uma granada e um fuzil.
Em nota, o coordenador da operação, o diretor do departamento de Polícia Especializada, delegado Ronaldo Oliveira, disse que a ação visava identificar e prender traficantes, além de colher informações para instruir os inquéritos policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod).
Participaram da operação policiais das delegacias de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), de Roubos e Furtos (DRF), de Combate às Drogas (DCOD), de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquérito Especiais (DRACO/IE), de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE) e da Polinter, que tiveram apoio de um helicóptero Águia.