Apesar das diferenças culturais comuns entre Brasil e Peru, um ato racista é algo abominável em qualquer lugar do mundo. Os peruanos, no entanto, não pensam dessa forma. Depois de imitar sons de macacos quando o atacante brasileiro Diego Maurício encostava na bola, torcedores em geral e até autoridades apontam essa como uma atitude normal e até “engraçada”.
Um dos policias que trabalhou na partida entre Brasil e Bolívia, e que preferiu não se identificar, acompanhou assustado a repercussão dos atos racistas entre os brasileiros. Sorridente, ele explicou que o som é a forma como os peruanos tentam “atrapalhar” os jogadores de “pele escura”.
Um jornalista também peruano tentou justificar o ato de seus torcedores, dizendo se tratar de uma tradição no país e uma “brincadeira” durante as partidas. Porém, quando questionado se isso não era simplesmente racismo, o profissional recuou e, envergonhado, confirmou a gravidade das atitudes.
Já o minerador Julio Cruz, por sua vez, tentou justificar os sons produzidos pela torcida. Para ele, a torcida imita macacos como forma de reclamar de algum lance, mas que no Peru não há racismo.
Neste domingo, após o empate por 1 a 1 entre Brasil e Bolívia, o atacante Diego Maurício tentou minimizar a violência sofrida por parte dos torcedores peruanos.
“Eu fico triste, mas isso não me afeta em nenhum momento. Independentemente de raça, somos todos seres humanos. Dentro de campo vou sempre mostrar meu trabalho e não dou bola para isso”, afirmou Diego Maurício.