A Coreia do Sul aceitou nesta quinta-feira a proposta do Norte de iniciar conversações sobre temas militares entre dirigentes de "alto nível" dos dois países. Mas, condicionou o diálogo a uma atitude mais enérgica de Pyongyang sobre ataques realizados contra o país, no ano passado. A possibilidade de acordo é reaberta pouco depois de Seul rejeitar, com apoio dos EUA, uma negociação com o Norte, alegando que o regime comunista deveria parar com as provocações.
As autoridades sul-coreanas afirmaram que Seul participará nas conversações "com a condição de que a Coreia do Norte adote medidas responsáveis nos casos do naufrágio do navio Cheonan e do ataque à ilha Yeonpyeong, e prometa evitar uma repetição destes atos". O comunicado acrescenta ainda: "Ter em separado conversações de alto nível para falar sobre a desnuclearização é absolutamente necessário".
Até o momento, Seul havia rejeitado todas as propostas de Pyongyang, por não considerá-las sinceras, obtendo apoio de Washington. Em 14 de janeiro, o secretário de Defesa dos EUA Robert Gates, encerrou sua viagem pela Ásia, fazendo um chamado ao regime norte-coreano para que colocasse fim às provocações e desse passos "concretos" para um diálogo "sério" com o Sul.
Histórico - Em 23 de novembro, um ataque orquestrado pela Coreia do Norte contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong elevou a histórica tensão entre vizinhos, um resquício da Guerra Fria, a um nível preocupante. O bombardeio matou quatro pessoas, entre elas dois civis - o que não ocorria desde a Guerra da Coreia (1950-53).
Oito meses antes, uma corveta sul-coreana havia afundado, matando 46 marinheiros. Em seguida, uma investigação internacional culpou Pyongyang pelo incidente.