O advogado Reynold Georges, quem presta assistência legal ao ex-presidente haitiano Jean-Claude Duvalier, mais conhecido como "Baby Doc" disse nesta quarta-feira que "não há nenhuma acusação" contra ele e que o ex-governante "é livre para se movimentar por onde quiser".
Georges fez estas declarações ao chegar ao hotel Karibe, em Porto Príncipe, para se reunir com Duvalier, quem chegou no domingo de surpresa ao Haiti após 25 anos de exílio na França.
Antes de se reunir com "Baby Doc", o advogado declarou aos jornalistas que após dez anos sem ter sido processado, as acusações contra ele não têm nenhum peso.
Sobre sua presença no Haiti, Georges disse que "não se pode exigir a um haitiano que deixe o país" e acrescentou que não vê "nenhum problema" em Duvalier se incorporar novamente à cena política do país.
Duvalier governou o Haiti entre 1971 e 1986 como sucessor de seu pai, François Duvalier.
Os dois lideraram um regime a que se considera responsável por vários crimes, inclusive o desvio de quantias milionárias pertencentes aos fundos do Estado.
Em 1987, "Baby Doc" foi julgado perante um tribunal por um suposto desvio em benefício próprio de US$ 120 milhões e, em 1991, pelo roubo de US$ 800 milhões que aparentemente tinha em diferentes bancos de EUA, Suíça e França.
Segundo a imprensa, o ex-presidente disse no domingo que retornou ao Haiti para "ajudar" o país, mas há uma incerteza sobre sua estadia, já que sua esposa, Veronique Roy, afirmou que eles iriam embora em três dias e o embaixador francês no Haiti, Didier Le Bret, disse que Duvalier possuía uma passagem de volta para a França para quinta-feira.
Uma entrevista coletiva que o ex-governante ia oferecer na terça-feira não ocorreu, já que ele teve que ser interrogado, mas se espera seu comparecimento perante os meios de comunicação ainda nesta quinta-feira para dar detalhes sobre sua volta ao Haiti.
A situação no hotel Karibe era de calma e normalidade nesta quinta-feira, com alguns grupos de seguidores do ex-presidente reunidos do lado de fora estabelecimento, onde também havia agentes policiais e membros da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).