O Irã vem desenvolvendo contatos com mais de 30 países para adquirir tecnologia, equipamento e matérias-primas necessárias para a construção de uma bomba nuclear, disse um jornal norueguês neste domingo, citando documentos diplomáticos dos Estados Unidos. O jornal Aftenposten disse que, segundo os documentos, obtidos pelo WikiLeaks, mais de 350 empresas e organizações iranianas estiveram envolvidas na busca de tecnologia nuclear e de mísseis entre 2006 e 2010.
O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins puramente pacíficos, mas o Ocidente suspeita que tenha o objetivo de desenvolver capacidade de armas. "Durante anos, o Irã esteve trabalhando sistematicamente para adquirir partes, equipamentos e tecnologia necessárias para desenvolver tais armas, uma violação das sanções das Nações Unidas contra o programa nuclear e de mísseis do país", disse o Aftenposten.
O jornal disse ter todos os 250 mil documentos norte-americanos vazados pelo WikiLeaks, a maioria ainda não foram publicada, e afirmou que o material será divulgado gradualmente. Ainda conforme a publicação, fontes disseram que o Irã estaria em uma corrida para desenvolver armas nucleares antes que sua já debilitada economia ceda às sanções. "A corrida existe entre a bomba e o colapso financeiro", disse um especialista nuclear francês, segundo trecho de documento divulgado pelo jornal.
"O Irã tem um estoque doméstico limitado de urânio, o que torna praticamente impossível suprir a capacidade atual e futura das usinas nucleares do país", disse em nota o Departamento de Estado dos EUA em fevereiro de 2009. "Consequentemente, os iranianos provavelmente serão forçados a negociar com fornecedores estrangeiros para obter o urânio para sua indústria nuclear doméstica", acrescentou.
O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.
Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.