O ministro interino das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, criticou neste domingo os Estados Unidos e o Ocidente em geral por rejeitarem o convite para visitar suas usinas nucleares e assinalou que, mesmo assim, seu país pretende organizar mais viagens deste tipo.

Salehi, que também é diretor do organismo iraniano de energia atômica, argumentou que a única razão pela qual estes países recusaram a proposta iraniana é que a visita "teria obrigado-os a admitir que o programa nuclear iraniano é pacífico". "Os países ocidentais sempre tentam orientar a opinião publica de tal forma que o mundo sinta que nós nos movimentamos em uma via não pacífica", afirmou. "Mas estes mesmos países (sabem que se) tivessem vindo e visto nossas possibilidades em enriquecimento e nossas instalações, teriam sido obrigados a reconhecer nossas atividades e por isso se negaram a vir", acrescentou. O responsável vaticinou, além disso, que "as nações ocidentais no final serão obrigadas a aceitar este direito legítimo da República Islâmica".

Sete embaixadores de países-membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) iniciaram no sábado uma visita às instalações nucleares iranianas de Arak e Natanz, em uma viagem que foi recusada inclusive por países com boas relações com o Irã. Tanto a China, quanto a Rússia, o Brasil e a Turquia negaram o convite do regime iraniano, tachado de "piada" pelos EUA. A União Europeia insistiu que a visita das instalações é tarefa dos inspetores da AIEA e assinalou que não passa de um ato de propaganda a uma semana da retomada do diálogo nuclear em Istambul.

Salehi, que acompanha a delegação de diplomatas que representam o Movimento dos Países Não Alinhados, o grupo dos 77, a Liga Árabe, Venezuela e Síria, afirmou que no futuro haverá mais visitas como estas às polêmicas instalações nucleares de seu país. "Já anunciamos que analistas técnicos podem viajar junto com os embaixadores ao Irã para ver estas instalações de perto e explicar a realidade de nossas atividades nucleares", disse.