O presidente Zine El Abidine Ben Ali não suportou a onda de protestos populares que tomou conta da Tunísia nas últimas semanas. Nesta sexta-feira (14) Momentos após declarar estado de emergência, e no mesmo dia em que dissolveu o governo, ele foi derrubado do poder pelo primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, com apoio do Exército.

A rede de TV Al Arabiya chegou a noticiar que Ben Ali, que estava havia 23 anos no poder, fugiu de avião para a ilha de Malta.

A fuga teria ocorrido após mais um dia de protestos na capital, Túnis, e em outras cidades. Mais de 70 pessoas morreram nas manifestações, duramente reprimidas pelo regime. Nesta quinta-feira, a fim de acalmar os manifestantes, Ben Ali anunciou que não iria se candidatar à reeleição em 2014.

Nesta sexta-feira, ele também dissolveu o governo do primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi e convocou eleições. Minutos depois, o presidente decretou Estado de emergência, equivalente a estado de sítio no Brasil (que limita alguns direitos fundamentais, como a liberdade de ir e vir e de expressão e também, em alguns países, restringe algumas funções da Justiça, do Congresso e do Executivo). Na mesma tarde, Ben Ali não resistiu e foi derrubado pelo Exército e por seu próprio governo.

O primeiro-ministro Ghannouchi anunciou em rede nacional de TV que estava assumindo a Presidência, prometendo democracia e respeito à Constituição.



* Manifestantes pedem renúncia


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Presidente foi reeleito sob suspeita de fraudes

Apoiado pelos governos ocidentais no passado, Ben Ali permanecia no poder por meio de eleições consideradas fraudulentas. Em 2009, ele foi reeleito com mais de 90% dos votos.

Nesta sexta-feira, pelo menos 5.000 pessoas se reuniram em frente ao Ministério do Interior, gritando frases como "Fora, Ben Ali!", e "Ben Ali, obrigado, mas já basta".

Na tarde desta quinta-feira (13), Ben Ali, de 74 anos e desde 1987 no poder, fez um emotivo discurso pela TV. Ele anunciou redução no preço do açúcar, do leite e do pão; a proibição do uso de armas de fogo contra manifestantes; e o fim da censura aos meios de comunicação e à internet.

Mais de 70 pessoas morreram

Segundo a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), pelo menos 74 pessoas já morreram nos enfrentamentos.
Os protestos já acontecem há quase um mês, depois que um comerciante ateou fogo ao próprio após ter sido proibido de vender frutas e verduras nas ruas.

Os manifestantes reclamam da falta de empregos para os jovens e de investimentos. Também se queixam da reação e da repressão policial liderada por Ben Ali, considerada por eles exagerada.

Na capital tunisiana, fontes sindicais disseram que um jovem de 25 anos morreu na noite da última quarta-feira (12) por tiros da polícia pouco antes do início do toque de recolher em um bairro pobre dos arredores da cidade.

Centenas de jovens desafiaram o toque de recolher na capital e protestaram por alguns bairros do norte da cidade e em vários distritos operários nos arredores.