A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que pediam a renúncia do presidente Zine El Abidine Ben Ali em Túnis.
Milhares de pessoas saíram às ruas da capital tunisiana e outras cidades do país para pedir a saída do presidente, apesar do discurso que Zine El Abidine Ben Ali fez na véspera na tentativa de diminuir a tensão em seu país.
Em função das violências registradas no país, o embaixador da Tunísia ante a Unesco, Mezri Hadad, apresentou nesta sexta-feira sua renúncia ao presidente, vários dias depois de ter pedido a ele que "detivesse o banho de sangue contra os manifestantes", segundo uma carta da qual a AFP obteve uma cópia.
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay, pediu na quarta-feira ao governo da Tunísia a realização de investigações "independentes" sobre o "uso excessivo" da força por parte de seus serviços de segurança.
Na capital, os manifestantes marcharam pela principal avenida da cidade, sem a intervenção da polícia. A princípio eram dezenas, depois centenas, mas o número foi aumentando.
O presidente tunisiano pediu na quinta-feira à força pública que não continue atirando contra os manifestantes e anunciou que não aspira a disputar um novo mandato em 2014, esperando assim apaziguar a onda de protestos sem precedentes contra o seu regime.
O discurso foi bem acolhido pelos diferentes componentes da oposição que tem sido perseguida durante os 23 anos de Ben Ali no poder.
Mesmo assim, dois civis morreram por tiros da polícia na cidade de Kairuan (centro), no momento em que o presidente pronunciava seu um discurso.
O ministro de Relações Exteriores, Kamel Morjane, por sua vez, afirmou esta sexta-feira que um governo de unidade nacional em seu país "é possível e até seria normal", em declarações à rádio francesa Europe 1.
"Com o comportamento de pessoas como Nejib Chebi (opositor), acho que é possível, até seria totalmente normal", declarou o ministro por telefone.
Chebi é o líder histórico do Partido Democrático Progressista (PDP), um grupo opositor autorizado na Tunísia, mas que não tem representação no Parlamento.
Tumultos de origem social sacodem a Tunísia há quatro semanas, deixando 21 mortos, segundo as autoridades, e mais de 50, segundo fonte sindical.