São quase 10 mil km que separam largada e chegada do Rally Dakar 2011 - ambas em Buenos Aires. Neste trajeto, que chega até a fronteira do Chile com a Bolívia, os competidores precisam de velocidade e regularidade, mas também de descanso e alimentação.
Ao todo, mais de duas mil pessoas se envolvem na competição. Para alimentar este batalhão ao longo das 13 etapas, 90 colaboradores fornecem 23 mil cafés da manhã, 21 mil pacotes de ração, 12,4 mil almoços, 26 mil jantares, 21 mil frutas, 100 mil litros de água e 12 mil litros de refrigerante. E tudo entregue a uma clientela exigente.
"A cada passar de ano, investimos em melhor gastronomia. O público europeu quer comer bem. Não é porque estamos no meio do nada que eles não querem comer bem - querem comer algo com gosto de casa. Como eles correm e estão muito cansados, a comida é um momento de recuperação muito importante para eles. Tem que ser uma comida muito saborosa", explica Satya-Christophe Menard, CEO da Sodexo para Américas do Sul e Central.
Responsável por alimentar os pilotos desde 2009, quando o Rally Dakar passou a ser disputado na América do Sul, a empresa tem um cronograma rigoroso para atender cada etapa. Mesmo assim, graças à logística bastante organizada, garante presença em cada etapa há três anos.
"São três grupos de caminhões, e cada um deles fornece um dia e se desloca para o preparo. Por exemplo: o primeiro caminhão faz dia 1, depois dia 4 e dia 7. Cada um deles forma uma cozinha totalmente independente", diz Menard. "No primeiro ano, o objetivo era entregar. Nós cumprimos com zero atraso. Entregamos em todas as corridas, em todos os lugares, e as pessoas puderam comer tranquilas", afirma também.
Francês, mas radicado no Chile há três anos e meio, o responsável pela alimentação não se mostra triste com a ausência da largada na Europa, como aconteceu entre 1979 e 2007. "Acho que é uma oportunidade espetacular, de o mundo inteiro conhecer uma parte do planeta que pouca gente conhece. Argentina, Chile, mas também Brasil, Peru... Muitos países da América do Sul têm lugares muito bonitos, que poucos conhecem. A chegada do Rally Dakar à América do Sul é uma grande oportunidade", defende.
No entanto, além de manter a culinária francesa em alta no meio de pampas e desertos, Satya-Christophe Menard também defende a sustentabilidade em sua participação na prova. Ao todo, 100 mil pratos descartáveis são feitos com fibra de cana de açúcar, substituindo o plástico e diminuindo a emissão de CO2 para a atmosfera.
"A cada ano, assim que a gente termina, vamos buscar em cada área uma nova eficiência", explica o francês, que colhe impressões positivas dos pilotos diante da mudança. "Eles querem sempre ver coisas novas. Há competidores que fazem a prova há 20 anos, e eles querem ver sempre coisas diferentes".
No entanto, é a única impressão que Satya e seus colaboradores colhem dos pilotos - e ele não reclama. "Em geral, as pessoas procuram mais para criticar que para elogiar. Isso é muito do europeu com a comida, que é uma coisa muito sensível. Mas o bom é que eu tive poucos comentários neste ano, então a coisa está melhorando", admite o dirigente, que brinca: "geralmente, o pessoal te procura quando está errado. Quando está bom, melhor não ter".
Críticas, elogios e inovações à parte, Satya já prepara sua empresa para o Dakar de 2012. O planejamento começa logo. "Depois de cada corrida, temos duas semanas de descanso e logo depois a gente já começa a planejar o ano seguinte", explica.