A Anistia Internacional instou a República Dominicana na sexta-feira a interromper o que chamou de deportações "em massa" de imigrantes haitianos, numa tentativa de impedir a propagação da cólera do Haiti.

O grupo de direitos humanos disse que mais de 950 haitianos que moram na República Dominicana sem documentação, alguns que se mudaram depois do devastador terremoto de janeiro 2010 no Haiti, foram enviados para casa na semana passada, com o reforço dos controles de imigração.

"Ninguém deveria ser deportado sem a determinação individual de seu status de imigrante e qualquer haitiano suspeito de portar cólera deve receber tratamento médico adequado, não ser deportado", disse em comunicado Javier Zuniga, funcionário sênior da Anistia Internacional.

Mais de 3.400 pessoas no Haiti já morreram e dezenas de milhares ficaram doentes com a epidemia de cólera que, desde meados de outubro, assola a nação caribenha, a mais pobre das Américas.

Cerca de 150 casos de cólera foram notificados na República Dominicana, uma das maiores economias do Caribe, que faz fronteira com o Haiti e ocupa a metade oriental da ilha de Hispaniola.

Cerca de um milhão de haitianos vivem e trabalham na mais próspera República Dominicana, a maioria como trabalhadores manuais e muitos sem a devida documentação.

Apreensivas de que a cólera, que é transmitida pela água e por alimentos contaminados, possa atravessar a fronteira, as autoridades dominicanas têm intensificado os postos militares de todo o país, onde os documentos de viagem dos haitianos estão sendo inspecionados.

O diretor do Departamento de Imigração da República Dominicana, Sigfrido Pared Pérez, disse que o governo estava enfrentando um grande aumento na imigração do Haiti.

"Não são as repatriações. São os haitianos que foram detidos no momento em que entraram ilegalmente no país," disse ele.

Após o terremoto que matou cerca de 250 mil pessoas no Haiti, o governo dominicano inicialmente suspendeu as deportações de imigrantes ilegais haitianos desabrigados.

Autoridades dominicanas dizem que mais de 200 mil haitianos entraram no país após o terremoto.

A cólera surgiu numa zona não afetada pelo terremoto, mas agora afeta todo o país. Trabalhadores humanitários dizem que conseguiram deter a epidemia em acampamentos de sobreviventes do terremoto na capital.

Zuniga disse que o status de imigração de muitos haitianos não é claro, particularmente no caso de centenas de milhares de pessoas que já estavam vivendo na República Dominicana sem documentos antes do terremoto.

"Deportar pessoas é condená-las a uma situação em que sua saúde e segurança estariam em grande perigo," disse ele.