O senador Pedro Simon (PMDB-RS) considerou equivocada a estratégia peemedebista de usar a discussão do salário mínimo para pressionar por cargos no segundo escalão do governo Dilma Rousseff. "O PMDB está agastado com a distribuição de cargos, que é um fato a ser debatido, mas inventar a tese do salário mínimo é deselegante. Só faz aumentar as manchetes de que o PMDB só está interessado em cargos", afirmou.

Ontem, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), divulgou nota negando que a discussão sobre o valor do mínimo esteja sendo usada pelo seu partido na disputa por cargos no governo Dilma Rousseff. "Misturar esse tema com a definição de cargos na composição natural do nosso governo é uma absurda e imperdoável irresponsabilidade", afirmou.

Alves disse, contudo, que é preciso buscar "número e razões" para enfrentar o debate sobre o tema. Foi uma resposta à declaração feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no início desta semana, de que o governo vetaria qualquer valor acima de R$ 540 para o mínimo.

A estratégia de trazer o salário mínimo para os holofotes teria partido do presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), em reunião com integrantes da legenda. Por meio de sua assessoria, o parlamentar afirmou que, no encontro, defendeu que fossem discutidas questões como política salarial e saúde, para que a legenda não ficasse com a imagem de ter preocupação apenas com cargos. E que considera o valor proposto pelo governo como sendo o "possível", pelas implicações econômicas do reajuste.

A oposição promete pressionar por um valor maior. O líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), afirma que há espaço para um reajuste melhor. "Se tiver de sacrificar emendas parlamentares, vamos fazer isso. O salário mínimo é mais importante", disse.