A escola Acadêmicos da Rocinha, do grupo de acesso A, será composta este ano basicamente por moradores da favela e por parceiros da agremiação - a maioria de outras áreas pobres vizinhas. “Queremos ter uma escola com chão”, explica o presidente da agremiação, Déo Pessoa. Para isso, as fantasias estão sendo oferecidas de graça para aqueles que fizerem a solicitação na quadra da escola. O preço a ser pago é o comparecimento obrigatório nos ensaios, conforme está estipulado no termo de compromisso assinado pelos foliões.

O número de inscritos já chega a 900. E quem quiser participar tem que correr: ao todo, estão disponíveis 1200 fantasias. A previsão é de que todas se esgotem na próxima semana. A medida, idealizada por Déo, levou em conta problemas do desfile do ano passado, como a falta de comprometimento das pessoas com o bom desempenho da escola. “Havia muitos turistas que não sabiam cantar o samba. Nada contra os turistas, mas dentro da Avenida é competição e isso é cobrado.”

A proposta deste ano não é só prestigiar os moradores da Rocinha, mas justamente sanar o problema do carnaval de 2010. “Queremos um corpo integrado”, reafirma Déo. Esse será o trunfo da Rocinha em 2011, que luta para subir ao grupo Especial. A doação de parte das fantasias - há segmentos da escola, como bateria e diretoria, cujas roupas não podem ser distribuídas - tem como objetivo preparar o torcedor da Rocinha para o grande dia do desfile.

O termo assinado por moradores e parceiros interessados em receber fantasias estimula o comprometimento. No próximo domingo, por exemplo, a Rocinha abre a temporada de ensaios técnicos na Sapucaí, o que é considerado ruim pelo presidente da escola. De acordo com ele, apenas no final de janeiro é que se começa a “respirar carnaval”. Por isso, foi feita uma “convocação geral”, como denominou Déo. Ou seja, os foliões que quiserem garantir suas fantasias estão obrigados a ir nesse esquenta. É uma forma de já colocá-los dentro do clima que a Rocinha almeja para este ano.

Com isso, a escola promete integrantes com a letra na ponta da língua e dispostos a lutar fervorosamente pelo titulo de campeã do grupo de Acesso A. É a compensação da opção feita pela escola de não cobrar por suas fantasias. “Perde por um lado, mas ganha por outro”, argumenta Déo. O dinheiro para evitar o prejuízo chegará através de parceiros e de incentivos da Lei Rouanet. Como o enredo deste ano fala sobre vidros - o nome é ‘Rocinha! Estou vidrado em você’ -, a Acadêmicos da Rocinha corre atrás de vidraçarias interessadas em ajudar o desfile financeiramente.