Especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) denunciaram nesta sexta-feira (31) violações aos direitos humanos na Costa do Marfim, após as eleições presidenciais de 28 de novembro. Eles advertiram que a violência pode se transformar em "crimes contra a humanidade".
Segundo os especialistas, desaparecimentos forçados de pessoas, prisões arbitrárias e execuções sem julgamento e sumárias, assim como atos de violência sexual, podem ter acontecido ou ainda se produzir na Costa do Marfim, denunciam.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU já havia adotado na quinta-feira passada, ao final de uma sessão especial sobre a Costa do Marfim, uma resolução denunciando as "atrocidades" cometidas após as eleições de novembro.
O clima de tensão no país africano começou após a derrota do governo nas eleições. A comunidade internacional reconheceu amplamente a vitória do opositor Alassane Ouattara, mas o presidente Laurence Gbagbo se recusa a deixar o cargo.
França recomenda saída de franceses
A França recomendou nesta sexta-feira a retirada das famílias francesas com filhos, moradoras da Costa do Marfim, até que a situação esteja normalizada no país.
Também anunciou o adiamento da volta às aulas nas escolas francesas do país, que começariam no dia 5 de janeiro, por causa da crise política vivida por Abidjan, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
No total, 14 mil cidadãos franceses, entre eles a metade com dupla nacionalidade, vivem na Costa do Marfim, um país imerso na violência pós-eleitoral, que fez 179 mortos desde meados de dezembro.
Várias pessoas já deixaram o país depois dos confrontos mortíferos entre partidários do presidente em final de mandato Laurent Gbagbo e seu adversário no segundo turno da presidencial, Alassane Ouattara.