A Coreia do Norte pode realizar seu terceiro teste nuclear em 2011, a fim de fortalecer o futuro líder do regime, Kim Jong Un, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (24) por um instituto ligado ao governo sul-coreano.
Na véspera, Pyongyang ameaçou usar seu arsenal atômico numa "guerra sagrada" contra o Sul, que por sua vez realizou grandes exercícios militares e ameaçou ser "inclemente" caso sofra uma agressão por parte da Coreia do Norte.
A Coreia do Norte já realizou testes nucleares em 2006 e 2009, mas ainda não provou ter uma arma capaz de ser usada em situações de conflito. Neste mês, a imprensa sul-coreana noticiou que o Norte está escavando um túnel para preparar um possível novo teste.
Recentemente, a Coreia do Norte revelou ter um programa de enriquecimento de urânio, além do seu programa de plutônio, o que lhe abriria um novo caminho para a obtenção de material físsil para armas atômicas.
Chances de ataque "continuam altas'
O relatório diz que "há uma possibilidade de a Coreia do Norte realizar seu terceiro teste nuclear para buscar melhorias na sua produção de armas atômicas, para manter a tensão militar elevada e para promover o status de Kim Jong Un", filho caçula e herdeiro do atual líder comunista do país, Kim Jong Il.
O documento do Instituto de Assuntos Estrangeiros e Segurança Nacional diz que "a tensão entre as duas Coreias continuará elevada, com as chances de ataques norte-coreanos contra o Sul permanecendo altas".
A tensão na península coreana atingiu novos níveis depois que, no mês passado, a Coreia do Norte bombardeou uma ilha sul-coreana, matando quatro pessoas, inclusive dois civis, nos incidentes mais graves desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953.
Coreia do Norte culpa os EUA
A agência estatal de notícias da Coreia do Norte, KCNA, disse na última semana que os EUA são os culpados pela tensão. Disse também que os sul-coreanos são as "brigadas de choque" de Washington.
- Os EUA são inteiramente culpados pelos alarmantes fatos na península neste ano, já que usou a península para realizar sua estratégia de dominar o leste da Ásia.
Analistas dizem que as atuais tensões causaram um retrocesso de pelo menos uma década nas relações inter-coreanas. Mas o risco de uma guerra total é considerado baixo, já que as ameaças do Norte são vistas como mera retórica para conseguir maior margem de barganha em eventuais negociações que levem ao seu desarmamento.