Ao comentar uma das reportagens veiculadas hoje (sexta, 24) pelo Congresso em Foco, o leitor que assina Eduardo lembrou: quase 220 mil brasileiros já assinaram a petição “contra o aumento de salário vergonhoso que os nossos ilustríssimos parlamentares se autoconcederam”. Ele se refere ao reajuste aprovado por Câmara e Senado na semana passada, em tempo recorde, para os próprios parlamentares, bem como para ministros de Estado e presidente e vice-presidente da República. No apagar das luzes do ano legislativo, o projeto de decreto legislativo aprovado aumentou os vencimentos de deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil, equiparando a remuneração dessas funções à dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

O reajuste salarial de 62% autoconcedido pelos parlamentares na quarta-feira passada (15) foi aprovado por uma maioria silenciosa. Apenas oito dos 395 deputados que marcaram presença na sessão que resultou na elevação do salário, que antes era de R$ 16,5 mil, registraram voto contra a proposta. Apenas 11 se dispuseram a usar o microfone para defender o aumento. Com a “brincadeira” com os cofres públicos, cada congressista para a custar praticamente R$ 2 milhões por ano, sem que a vantagem do custo-benefício seja indubitavelmente constatada.

Numa realidade em que o trabalhador comum recebeu cerca de 5% de aumento (o dos parlamentares foi de 62%), com piso salarial que será de R$ 540 em 2011, a revolta da sociedade vinha de diversos setores, como este site mostrou no último dia 21. Naquele dia, o protesto transpunha o plano virtual para a fonte de mais uma indignação, o Congresso.

“Se vc assim como eu, está indignado, assine também, vamos chegar a um milhão de assinaturas e acabar com a festa [...]”, exorta leitor Eduardo, com a grafia dos internautas, a quem esclarecemos que o corte do pronome demonstrativo e do adjetivo do final da frase, feito por questões editoriais, não compromete a eficácia da mensagem.