Belarus vive neste sábado um dia de reflexões e expectativas que antecedem a realização das eleições presidenciais, nas quais o atual chefe de Estado, Aleksandr Lukashenko, se apresenta como favorito à frente de seus nove rivais.
Mas em Belarus a reflexão não favorece o silêncio. Ao contrário de outros países, a campanha eleitoral está em pleno vapor.
Além de Lukashenko, que participa pela quarta vez no pleito e é até agora o primeiro e único presidente da história de Belarus, concorrem à Presidência vários representantes da oposição liberal e nacionalistas bielorrussos.
A participação de tantos candidatos, de acordo com a oposição, não enfraquece as chances de êxito do atual governante, já que o objetivo é atrair a maior quantidade possível de eleitores a fim de conseguir um segundo turno, pondo Lukashenko em disputa com o candidato opositor mais votado.
Enquanto isso, os dois principais grupos políticos, aos quais se atribuem as melhores chances nessas eleições - o do atual chefe de Estado e o da oposição liberal -, não têm dúvidas sobre suas respectivas vitórias.
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Lidia Yermóshina, expressou certeza de que o resultado será decidido já no primeiro turno e ela, portanto, poderá "celebrar tranquilamente o Natal".
Algumas opiniões divergem dessa certeza, como é a de Stanislav Shushkevich, antecessor de Lukashenko e primeiro chefe de Estado da Belarus independente, por ser então o presidente do Parlamento. Para ele, se não houver fraude eleitoral, nenhum candidato obterá maioria absoluta no primeiro turno e, no segundo, Lukashenko será derrotado.
Já antes da jornada de votação, membros da oposição já denunciaram fraude no processo político.
Vladimir Neklyayev e Andrei Sannikov, considerados favoritos entre os candidatos opositores, anunciaram a intenção de apresentar as provas da "fraude" à Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e às embaixadas dos países que enviaram observadores para o pleito.
Segundo eles, a fraude foi cometida já na votação antecipada, destinada àqueles impossibilitados de comparecer às urnas no domingo. Iniciada na última quarta-feira, essa votação já contou com a participação de 17,4% dos eleitores, segundo dados oficiais.
Ao mesmo tempo, foi negada à oposição a exigência de manter sua presença permanente nas comissões dos colégios eleitorais, onde seus membros só representam 0,025%.
Os opositores, diante do receio de fraudes, já convocaram protestos para a noite de domingo na Praça de Outubro, no centro de Minsk, após o fim do horário de votação.
A manifestação pretende exigir a realização de novas eleições presidenciais "sem Lukashenko", que está no poder desde 1994, quando ocorreu o primeiro pleito em Belarus, após a independência do país em 1990.
As autoridades já declararam ilegal a manifestação convocada. A rádio e televisão estatal não se cansam de repetir que aqueles que saírem às ruas estarão agindo "contra os interesses do país" e serão castigados por suas ações ilegais.
"Se forem confirmadas as evidentes violações, não reconheceremos os resultados (das eleições)", declarou Andrei Sannikov, líder da campanha Belarus Europeia e um dos opositores favoritos ao pleito.
Em caso de fraude, Sannikov prometeu levar às ruas a "dezenas de milhares" de pessoas e afirmou que já tem um "plano de ações", que serão "estritamente pacíficas".
Por sua vez, o chefe do Comitê de Segurança do Estado de Belarus, Vadim Zaitsev, disse que a situação no país às vésperas das eleições é "estável e absolutamente sob controle".
Para garantir a transparência da votação dos mais de 7 milhões de eleitores, estão em Belarus observadores da OSCE, da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e de vários países, bem como centenas de jornalistas estrangeiros.