A bala que matou um menino de 10 anos, no último dia 21 de novembro, em Salvador, foi disparada da arma de um policial militar. Esse foi o resultado do laudo apresentado, nesta quinta-feira, pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
De acordo com os peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), a bala que atingiu o rosto da criança partiu de uma pistola calibre 40, usada pelo soldado Eraldo Menezes de Souza, que trabalha há 14 anos na corporação.
A perícia constatou ainda que não houve troca de tiros, uma vez que todos os estojos coincidem com os projéteis das armas dos policiais, recolhidos na rua por populares e entregues à polícia. Eraldo e os outros nove policiais estão afastados do serviço, até a conclusão do julgamento. Dois deles foram identificados pelo pai da criança e estão sendo indiciados por omissão de socorro.
Defesa
O advogado da Associação de Praças da Polícia Militar, Bruno Teixeira Bahia, disse que soube do resultado do inquérito por meio da imprensa e que já solicitou uma cópia à delegada responsável. "Causa espanto que o laudo tenha esse resultado. Porque, pelos relatos dos policiais, houve, de fato, uma troca de tiros. E pela posição em que estavam, o disparo que atingiu o garoto não poderia ter partido deles. Mas, se o conteúdo do laudo for confirmado, certamente foi uma lamentável fatalidade", afirmou.
Entenda o caso
O garoto estava dentro de casa e, segundo familiares, se preparava para dormir quando recebeu um tiro no rosto. A criança chegou a ser levada para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e morreu duas horas depois.