A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA), Selma Balbino, afirmou nesta sexta-feira que as empresas aéreas se aproveitam da possibilidade de greve no setor para esconder problemas como o overbooking (venda de passagens em número maior que o de assentos do avião) e o excesso de horas extras dos funcionários. Segundo ela, tais problemas apareceriam de qualquer maneira nas festas de fim de ano.

Para Selma, o radicalismo das empresas indica que elas apostam no radicalismo dos aeroviários para se livrar da responsabilidade de desorganização e falta de planejamento e jogam a culpa pela venda de passagens em excesso sobre os funcionários. Ela participou de uma reunião do comando de greve, que manteve para o próximo dia 23 a decisão de paralisar o setor.

"Nós discutimos isso hoje e questionamos se não estávamos entrando em uma cilada. Mas qual é o momento que temos, fora da data-base, para entrar em greve? Temos uma questão de honra de paralisar, se não obtivermos uma contraproposta, por conta do acirramento que está na base, entre os trabalhadores", disse.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) classificou de "teoria absurda" a denúncia levantada pela presidente do SNA e informou que as empresas continuam abertas ao diálogo.

Acordo salarial
Os aeroviários exigem aumento salarial de 13% e alta de 30% no piso. Já os aeronautas cobram índice de reajuste de 15%, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac), filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Representantes das companhias aéreas se reuniram com os aeroviários (funcionários que atuam em terra) e aeronautas (atuam em voos) na quarta-feira, mas não houve acordo. As companhias mantiveram proposta de reajuste de 6%, segundo o Snea.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou nesta sexta-feira que o Ministério da Defesa tem um plano de contingência pronto para o caso os aeroviários entrem em greve durante as festas de final de ano. O plano seria colocado em prática nos aeroportos das principais capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Recife. "Mas eu não acredito que isso vá acontecer. Até lá, teremos uma solução. Se for preciso, haverá a intervenção do Poder Judiciário", disse.