O presidente sul-africano, Jacob Zuma, está processando um dos principais jornais do país por uma charge política publicada há dois anos. A caricatura mostra o líder político, em uma cena sexualmente sugestiva, junto a uma figura que representa a "Senhora Justiça".

Zuma está pedindo o equivalente a R$ 993 mil (4 milhões de rands) de indenização por difamação do grupo de mídia Avusa, dono do jornal The Sunday Times. Também pede o equivalente a R$ 293 mil (1 milhão de rands) ao ex-editor do jornal, responsável pela publicação à época, e ao autor da charge.

As informações foram dadas pelo advogado do jornal, Eric van der Berg. Não foi possível obter declarações de funcionários do governo.

Van der Berg disse estar "surpreso pelo fato de a ação ter sido movida mais de dois anos após o fato", anunciando que irá recorrer "com vigor".

Chargista disse que "sente" que Zuma abusa da Justiça

A imagem da charge que mostra partidários de Zuma segurando a "Senhora Justiça", ponta a ser estuprada no chão, é de Jonathan Shapiro, conhecido por seu pseudônimo Zapiro. O presidente Zuma foi mostrado em pé sobre a mulher, com a braguilha aberta.

Shapiro disse à Talk Radio 702 nesta terça-feira que "quis dizer algo muito forte sobre Zuma".

- Senti, e ainda sinto, que ele e seus aliados abusam do sistema de Justiça.

Zuma foi acusado de estuprar mulher com HIV

Na época em que a charge foi publicada, em 2008, Zuma enfrentava acusações de corrupção que poderiam ter bloqueado seu caminho para a Presidência.

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Em 2006 um tribunal o absolveu do estupro de uma mulher portadora do vírus HIV, amiga da família, em um caso que despertou grande interesse público e condenação por parte de grupos de mulheres, em um país que tem um dos mais altos índices do mundo de violência sexual.

Zuma descreveu a charge como degradante e vulgar e prometeu tomar medidas legais.

O processo foi aberto no momento em que o Congresso Nacional Africano, o partido de Zuma, planeja novas medidas para monitorar a imprensa. As medidas estão sendo criticadas pela mídia local, grupos globais e alguns governos estrangeiros como tentativas de amordaçar a imprensa.