As chances de o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, sobreviver a um voto de confiança no Parlamento estão na corda-bamba, segundo analistas políticos, que dizem que a decisão pode ficar por apenas um voto.
O bilionário empresário de 74 anos passou um de seus anos mais difíceis em 2010, repleto de escândalos e brigas que enfraqueceram a liderança do primeiro-ministro e deixaram seu governo de centro-direita em desordem.
Um desentendimento com um grupo do ex-aliado Gianfranco Fini, em julho, custou a Berlusconi a maioria no Parlamento e, depois de meses de impasse, o pleito na capaz de derrubar o primeiro-ministro pode acabar sendo decidido por apenas um ou dois votos nesta terça-feira (14).
Se Berlusconi perder em qualquer uma das duas câmaras do Parlamento, ele terá de renunciar. Nesse caso, o presidente, Giorgio Napolitano, indicará o novo primeiro-ministro ou haverá novas eleições, que não eram esperadas antes de 2013.
Berlusconi tem feito uma campanha de promessas para atrair parlamentares indecisos, e o governo está cada vez mais confiante de que conseguirá vencer.
Votação será apertada
Analistas políticos diziam neste domingo (12) que Berlusconi pode conseguir 314 votos contra 313 da oposição. O resultado, no entanto, continua incerto e pode depender da mudança de opinião no último minuto de um ou dois deputados ou de fatores externos, como a presença de três parlamentares que estão grávidas.
Fini declarou em um programa televisivo neste domingo que, mesmo que Berlusconi se mantenha no poder, ele estará condenado à impotência.
- Se o voto não derrubar Berlusconi, teremos um governo que está apenas tentando sobreviver. Isso não é estabilidade, é estado vegetativo.
O voto de confiança será observado cuidadosamente por investidores, que estão em alerta vermelho com a zona do Euro e que podem se voltar contra a Itália, um dos países mais endividados de toda a Europa, se a situação política ameaçar a estabilidade financeira.
Tudo isso acontece no meio da polêmica levantada pela Promotoria de Roma, que abriu uma investigação sobre uma suposta trama de compra de votos por parte de Berlusconi para assegurar a confiança da Câmara Baixa.
Fini ressaltou que, seja qual for o resultado da votação, a partir desta terça-feira seu grupo parlamentar, o Futuro e Liberdade (FLI), não fará parte da maioria conservadora e passará a compor a oposição.
Por outro lado, o presidente da Câmara dos Deputados lançou um ataque frontal a Berlusconi ao afirmar que "o que interessa mais ao primeiro-ministro é poder permanecer no cargo", pois desse modo Berlusconi poderia se beneficiar da "lei do legítimo impedimento", norma que, em diversas ocasiões, permitiu ao governante se ausentar dos dois processos judiciais que tem pendentes.